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Em uma decisão inédita, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa gaúcha aprovou nesta terça-feira (28) o corte dos salários de 41 servidores de carreira que ganham acima do teto estadual, fixado pela Constituição, de R$ 22.111,25.
Os maiores salários da Assembleia gaúcha
| Salário (em R$) | Nº de servidores |
| 37.548,35 | 1 |
| De 32 mil a 37.548,35 | 3 |
| De 30 mil a 32 mil | 6 |
| De 28 mil a R$ 30 mil | 1 |
| De 22.111,25 a 24 mil | 14 |
| De 26 mil a R$ 28 mil | 4 |
| 24 mil a R$ 26 mil | 12 |
A proposta, apresentada pelo presidente da Assembleia, deputado Ivar Pavan (PT), teve o voto favorável dos outros seis integrantes da diretoria. A economia mensal na folha de pagamento foi avaliada em R$ 2 milhões.
Na prática, os supersalários já virão com desconto no contracheque de maio. Pelo menos cinco servidores da Casa perderão mais de R$ 10 mil de rendimentos mensais em função de gratificações acumuladas durante a carreira. Dos 41 funcionários atingidos pela medida, quatro ganham acima de R$ 32 mil - um deles recebe mais de R$ 37 mil - quatro.
Os 55 deputados gaúchos ganham subsídio de R$ 11.564,76, além de uma série de gratificações como 14º e 15º salários e uma verba de gabinete que pode chegar a R$ 22 mil. A Assembleia tem 498 servidores estáveis e outros 592 inativos, além de um contingente de 1.699 cargos de confiança.
Raio X da AL do RS
Presidente: Ivar Pavan (PT), oposição.
Total de deputados: 55 (PT, 10; PP, 9; PMDB, 9; PSDB, 7; PDT, 6; PTB, 5; DEM, 3; PPS, 3; PSB, 2; PC do B, 1)
Salário dos deputados:
R$ 11.564,76 por mês (+ 13º), mais duas ajudas de custo no mesmo valor - no início e no fim de cada sessão legislativa. Além disso, há um subsídio proporcional por presença, com teto no mesmo valor do subsídio, pago em dezembro. No cômputo geral, são pagos 15 salários por ano aos deputados mais um proporcional por presença - ou seja, eles podem receber até 16 salários por ano.
A medida, que entra em vigor a partir da semana que vem, já havia sido aprovada em plenário em 2003 por meio de uma emenda constitucional. Mas nunca passou por regulamentação pela Mesa Diretora, como pede o estatuto da Assembleia Legislativa. A emenda determina que o valor máximo dos salários de funcionários públicos, envolvendo os três poderes, deve ser de 90,25% do subsídio mensal de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
"A decisão é extremamente importante para nós e para a sociedade, embora esteja seis anos atrasada", disse Pavan ao comentar a decisão. Além de Pavan, a Mesa Diretora é composta pelos deputados Luciano Azevedo (PPS), Francisco Áppio (PP), Giovani Cherini (PDT), Nelson Harter (PMDB), Paulo Brum (PSDB) e Cassiá Carpes (PTB).
O presidente da Assembleia Legislativa classificou a decisão como política. "O tema é controverso", admitiu Pavan. A proposta não foi avaliada pela Procuradoria da Casa antes de ir a votação, como queriam os servidores de carreira da Casa. Segundo Pavan, a palavra final deverá ser da Justiça. "Para nós, teto é teto e ponto. Mas qualquer cidadão tem o direito de recorrer quando se sentir prejudicado", afirmou o deputado.
O presidente do Sindicato dos Funcionários Efetivos e Estáveis da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Flávio Dall'agnol, disse que os 41 servidores - dos quais 29 são aposentados - devem recorrer da decisão.
Os salários acima do teto pagos pelo Legislativo gaúcho estavam congelados desde a aprovação de uma resolução da Mesa, de dezembro de 2007. A resolução, entretanto, manteve o pagamento dos vencimentos que já estavam acima do valor estabelecido na data da aprovação. A nova decisão define o teto como salário máximo a ser pago a todos os servidores, independentemente de avanços dentro da lei obtidos através de plano de carreira.