Um pedido de vista conjunto adiou pelo período de duas sessões do plenário da Câmara a votação do parecer do relator do Conselho de Ética da Câmara, deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que pede a cassação do mandato do chamado "deputado do castelo", Edmar Moreira (sem partido-MG), por quebra de decoro parlamentar. O relatório de Fonteles foi apresentado hoje.
"FUI CHAMADO DE VEADO", DIZ RELATOR
O deputado mineiro é acusado de uso indevido da verba indenizatória, acusação que o relator considerou "concretamente comprovada".
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara ainda não marcou a data para a votação do relatório. Caso o parecer seja aprovado no Conselho, o relatório deverá ser votado pelo Plenário da Câmara, onde são necessários 257 votos - maioria absoluta - para a sua aprovação (o que significa a perda de mandato do deputado). Se o relatório não for aprovado pelos integrantes do Conselho, o texto só irá a Plenário se um décimo dos deputados - 51 - assinar recurso nesse sentido.
No seu voto, o relator argumenta que "a aplicação de dinheiro público (...) pelo representado, no pagamento de serviços de segurança de sua própria empresa Ronda violou os princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade".
Nazareno negou a possibilidade de penas mais brandas, como a suspensão do mandato ou uma multa. "A única punição constitucionalmente prevista para parlamentar que proceder de modo incompatível com o decoro parlamentar é a perda do mandato," escreveu.
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O deputado dono do castelo
deve ter seu mandato cassado?
Desta forma, os demais membros do conselho só poderão votar contra ou a favor da cassação do mandato dele, o que impede outras sanções ao deputado.
O relator afirma de maneira taxativa que Edmar usou sua verba indenizatória para proveito próprio. "É honesto e probo que um deputado use verba pública para se tornar o único cliente de sua própria empresa de segurança com o objetivo de socorrê-la financeiramente? (...) É evidente que não."
No seu voto, Nazareno rebate os argumentos apresentados pela defesa de Edmar ao longos dos últimos meses.
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Edmar Moreira, o "deputado do castelo", durante depoimento ao Conselho de Ética, (26/05/2009)
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Imóvel que valeria R$ 25 milhões e seria do deputado não foi declarado à Justiça Eleitoral
Na leitura do relatório, que durou quase uma hora, ele recapitulou todos os acontecimentos desde que o processo foi aberto.
Após a leitura, o advogado de Edmar teve a palavra. Ele recorreu aos mesmos argumentos apresentados anteriormente no Conselho de Ética. Entre outros, ele cita a perseguição política a Edmar e o reconhecimento dele na mídia, pejorativamente, como "deputado do castelo".
Entenda o casoEdmar Moreira contratou serviços de suas próprias empresas de segurança, Itatiaia e Ronda, com sua verba indenizatória de maio de 2007 a janeiro de 2009. A verba indenizatória, de R$ 15 mil por mês, deveria auxiliar o deputado em gastos ligados à função. Ele usava o dinheiro integralmente para contratação de suas empresas.
O deputado foi eleito no dia 1º de fevereiro corregedor da Câmara, como candidato independente. Naquela semana, Edmar ficou famoso por ter um castelo avaliado em R$ 25 milhões na cidade de São João Nepomuceno, em Minas Gerais. O castelo não consta na declaração de Edmar ao Imposto de Renda. Ele alega que o imóvel estaria no nome de seus filhos. Na mesma semana, teve início o processo de Edmar. O PSOL fez uma representação, na corregedoria na Câmara dos Deputados, questionando a legalidade do uso da verba indenizatória pelo deputado.
A corregedoria formou uma comissão de sindicância para avaliar o caso. Após ouvir o deputado e analisar documentos, ela apresentou um parecer favorável à cassação do mandato. O relatório questionava o fato do congressista não reembolsar o gasto com segurança através de notas fiscais, como é praxe na Casa. O deputado sacava o dinheiro ao invés de apresentar as notas devido aos problemas fiscais de suas empresas, que impediriam a sua contratação por órgãos públicos. A comissão também apontou a impossibilidade de comprovar que os serviços já tinham sido prestados.
No dia 15 de abril, dois meses e meio após os fatos virem à tona, um processo foi instalado no Conselho de Ética. A relatoria coube ao deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), mas o deputado gaúcho foi afastado do cargo após adiantar sua intenção de absolver Edmar e dizer que estava "se lixando para a opinião pública". No sei lugar entrou Nazareno Fonteles.
Edmar apresentou uma defesa escrita ao conselho, em que argumentava a inépcia do processo. Segundo ele, o objeto do processo teria mudado durante a sua tramitação. O PSOL havia questionado a legalidade dele gastar a verba com as suas próprias empresas. Já a comissão de sindicância tentava enquadrá-lo por outras práticas ilícitas.
O deputado foi ouvido duas vezes no Conselho de Ética. Ele deixou o relator e o presidente da comissão nervosos, por não responder claramente as perguntas. O deputado apresentou um requerimento para a retirada dos membros do seu antigo partido, o DEM, da comissão, pois não teriam isenção para julgá-lo. O requerimento foi negado.
(*) com informações da Agência Câmara