Ao final de uma cerimônia no Palácio do Buriti, em Brasília, nesta quinta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a crise no Senado não deve ser transformada em uma "crise institucional". Ele também defendeu o presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), dizendo que ele "tem o compromisso" de apurar as denúncias.
"Não quero transformar as coisas que aconteceram no Senado em uma crise institucional. Ali no Senado todos têm maioridade e sabem o que acontece. Que tomem uma decisão e resolvam", afirmou. "Eu acho que o Sarney foi eleito pelos senadores e tem o compromisso de fazer a apuração. Ele me disse que está apurando isso", declarou. "Espero que haja apuração."
Mais uma vez, o presidente disse que não é possível deixar o país parado por conta das denúncias. "O que não pode é um país que tem tantas coisas importantes pra gente discutir e pensar, a gente ficar um mês inteiro discutindo coisas menores, que o Tribunal de Contas pode investigar."
Lula disse ainda que desconhece a existência de contas secretas do Senado e disse que deixar ex-diretores da Casa sem trabalhar enquanto as denúncias são apuradas "não é a medida adequada". "Vi na televisão um senador pedindo para que os diretores acusados não compareçam porque ele está constrangindo alguns senadores. Essa medida não é a adequada. A mais adequada é a seguinte: se ele está sob suspeita, é melhor afastá-lo".
Alguns senadores têm defendido a demissão do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia e do ex-diretor de recursos humanos João Carlos Zoghbi, envolvidos em denúncias. Eles já foram afastados dos cargos de diretoria, mas parlamentares como o Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmam que não devem nem mesmo dar expediente na Casa. "Sugeri que o presidente Sarney convoque os dois e peça a eles que não venham ao Senado enquanto durarem as investigações porque a presença deles é perturbadora do ponto de vista da própria investigação", disse o tucano esta semana.