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30/06/2009 - 22h50

PT não define posição sobre permanência de Sarney no Senado; três partidos pedem afastamento

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
O PT foi o último partido a reunir sua bancada nesta terça-feira (30) para discutir a crise do Senado e definir sua posição em relação à permanência ou não de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. Mas o partido não chegou a uma decisão sobre este último ponto e limitou-se a antecipar que pedirá a criação de uma comissão para promover uma reforma "profunda" no Senado.

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O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse apenas que haverá uma reunião com Sarney, provavelmente na manhã desta quarta. Apenas depois da conversa com o presidente do Senado a bancada volta a se reunir para decidir sobre a manutenção do apoio ao peemedebista.

"Iremos procura-lo amanhã para termos um diálogo sobre a crise, expressarmos todas as nossas preocupações e recomendações e a partir desse diálogo voltaremos a nos reunir e expressaremos nossa posição", disse Mercadante.

Ao longo desta terça-feira, três partidos oficializaram posição a favor de um afastamento temporário de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado em razão de escândalos envolvendo atos secretos na Casa. Além do PSDB - que já vinha indicando esta posição por meio de alguns de seus senadores - e do PDT, o presidente da Casa perdeu um apoio importante, do oposicionista DEM.

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Diante do aumento da pressão por sua saída, Sarney manteve-se firme. Afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a hipótese de afastamento "não está nem sequer em análise". E negou que esteja sendo pressionado a se licenciar da presidência, "nem mesmo pela família". Segundo a colunista da "Folha de S.Paulo" Mônica Bergamo, parte da família e amigos mais próximos do presidente do Senado iriam aconselhá-lo a se afastar da presidência.

Comissão de reforma
A comissão proposta pelo PT assemelha-se muito à divulgada pelo PSDB - partido que oficializou posição contrária à permanência de Sarney na presidência. A idéia é designar alguns parlamentares e também funcionários do Senado para sugerir soluções para a crise.

"Vamos propor a criação imediata de uma comissão formada por alguns senadores que representem os partidos e alguns funcionários de alto nível - principalmente consultores da Casa - para promover uma profunda reforma e fazer uma proposta de reestruturação completa do Senado", disse Mercadante.

A proposta do PSDB era de uma comissão com poder para recompor o Senado. Ela proporia mudanças que deveriam ser acatadas pela Mesa Diretora. O PT fala em uma comissão para apoiar a Mesa Diretora.

O PT defendeu ainda um "enxugamento" do Senado, com redução de despesas na folha de pagamento e extinção de órgãos como o serviço médico do Senado, que, nas palavras de Mercadante, "não se justifica". "Deveria ter apenas um pronto-socorro".

Questionado sobre as recentes manifestações de apoio a Sarney por parte do presidente Lula, o líder do PT no Senado disse que a opinião do presidente deve ser "respeitada", mas lembrou que a bancada "tem responsabilidades em relação aos senadores."

"O presidente Lula procurou defender o Senado Federal, valorizar a história do Senado e do presidente Sarney, e manifestou uma opinião que, evidentemente, nós temos imenso respeito. Mas, de qualquer forma, a bancada tem suas responsabilidades em relação aos senadores, tem um compromisso com o Senado, queremos ver o Senado passando por uma profunda mudança e queremos expressar tudo isso ao presidente Sarney", disse.

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O dia no Senado
No início da tarde, o PSOL entrou com representação pedindo a investigação de Sarney e Renan Calheiro (PMDB-AL) pelo Conselho de Ética, por quebra de decoro. O pedido pode esbarrar, contudo, na ausência de um conselho atualmente em funcionamento.

Pouco depois, a bancada do DEM reuniu-se e decidiu apoiar o afastamento temporário de Sarney da presidência da Casa, até a conclusão das investigações das denúncias de irregularidades administrativas. O PSDB seguiu os passos do DEM e também oficializou sua posição pró-afastamento.

"É absolutamente inviável a permanência do senador José Sarney na presidência do Senado. Então o partido pede que o presidente medite e se decida pelo afastamento durante tempo necessário para que as investigações realmente aconteçam", disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que já defendia individualmente que Sarney se licenciasse.

Nos dois casos, os partidos alegaram que a licença de Sarney traria "isenção" às investigações. "Propomos que ele se licencie até para que a apuração dos fatos seja acreditada. E para que, se ele for entendido como inocente, ele possa voltar. E se as investigações resultarem em que ele tenha culpa, evidentemente que ele arcará com a responsabilidade da culpa que for imputada por uma investigação isenta feita por um Senado que terá credibilidade porque terá feito a investigação sem a tutela presumida de autoridade nenhuma", defendeu José Agripino (DEM-RN).

O apoio a Sarney veio do seu partido, o PMDB, em nota assinada por 17 dos 19 senadores da bancada. "Os senadores do PMDB têm consciência das suas responsabilidades e aprovam as ações que estão sendo realizadas. Este é o momento para a implementação de grandes mudanças e, por isso mesmo, o partido continuará apoiando o presidente José Sarney e a Mesa Diretora na consecução desse objetivo", disse Valdir Raupp (RO), ao ler a nota em plenário.

O PTB também manifestou apoio a José Sarney e aos integrantes da Mesa Diretora.

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