O PT foi o último partido a reunir sua bancada nesta terça-feira (30) para discutir a crise do Senado e definir sua posição em relação à permanência ou não de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. Mas o partido não chegou a uma decisão sobre este último ponto e limitou-se a antecipar que pedirá a criação de uma comissão para promover uma reforma "profunda" no Senado.
Você acha que Sarney deveria se afastar?
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse apenas que haverá uma reunião com Sarney, provavelmente na manhã desta quarta. Apenas depois da conversa com o presidente do Senado a bancada volta a se reunir para decidir sobre a manutenção do apoio ao peemedebista.
"Iremos procura-lo amanhã para termos um diálogo sobre a crise, expressarmos todas as nossas preocupações e recomendações e a partir desse diálogo voltaremos a nos reunir e expressaremos nossa posição", disse Mercadante.
Ao longo desta terça-feira, três partidos oficializaram posição a favor de um afastamento temporário de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado em razão de escândalos envolvendo atos secretos na Casa. Além do PSDB - que já vinha indicando esta posição por meio de alguns de seus senadores - e do PDT, o presidente da Casa perdeu um apoio importante, do oposicionista DEM.
Pressionado, Sarney afirma que hipótese de afastamento "não está em análise"
Diante do aumento da pressão por sua saída, Sarney manteve-se firme. Afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que
a hipótese de afastamento "não está nem sequer em análise". E negou que esteja sendo pressionado a se licenciar da presidência, "nem mesmo pela família". Segundo a colunista da "Folha de S.Paulo" Mônica Bergamo, parte da família e amigos mais próximos do presidente do Senado iriam
aconselhá-lo a se afastar da presidência.
Comissão de reformaA comissão proposta pelo PT assemelha-se muito à divulgada pelo PSDB - partido que oficializou posição contrária à permanência de Sarney na presidência. A idéia é designar alguns parlamentares e também funcionários do Senado para sugerir soluções para a crise.
"Vamos propor a criação imediata de uma comissão formada por alguns senadores que representem os partidos e alguns funcionários de alto nível - principalmente consultores da Casa - para promover uma profunda reforma e fazer uma proposta de reestruturação completa do Senado", disse Mercadante.
A proposta do PSDB era de uma comissão com poder para recompor o Senado. Ela proporia mudanças que deveriam ser acatadas pela Mesa Diretora. O PT fala em uma comissão para apoiar a Mesa Diretora.
O PT defendeu ainda um "enxugamento" do Senado, com redução de despesas na folha de pagamento e extinção de órgãos como o serviço médico do Senado, que, nas palavras de Mercadante, "não se justifica". "Deveria ter apenas um pronto-socorro".
Questionado sobre as recentes manifestações de apoio a Sarney por parte do presidente Lula, o líder do PT no Senado disse que a opinião do presidente deve ser "respeitada", mas lembrou que a bancada "tem responsabilidades em relação aos senadores."
"O presidente Lula procurou defender o Senado Federal, valorizar a história do Senado e do presidente Sarney, e manifestou uma opinião que, evidentemente, nós temos imenso respeito. Mas, de qualquer forma, a bancada tem suas responsabilidades em relação aos senadores, tem um compromisso com o Senado, queremos ver o Senado passando por uma profunda mudança e queremos expressar tudo isso ao presidente Sarney", disse.
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O dia no SenadoNo início da tarde, o
PSOL entrou com representação pedindo a investigação de Sarney e Renan Calheiro (PMDB-AL) pelo Conselho de Ética, por quebra de decoro. O pedido pode esbarrar, contudo, na ausência de um conselho atualmente em funcionamento.
Pouco depois,
a bancada do DEM reuniu-se e decidiu apoiar o afastamento temporário de Sarney da presidência da Casa, até a conclusão das investigações das denúncias de irregularidades administrativas.
O PSDB seguiu os passos do DEM e também oficializou sua posição pró-afastamento.
"É absolutamente inviável a permanência do senador José Sarney na presidência do Senado. Então o partido pede que o presidente medite e se decida pelo afastamento durante tempo necessário para que as investigações realmente aconteçam", disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que já defendia individualmente que Sarney se licenciasse.
Nos dois casos, os partidos alegaram que a licença de Sarney traria "isenção" às investigações. "Propomos que ele se licencie até para que a apuração dos fatos seja acreditada. E para que, se ele for entendido como inocente, ele possa voltar. E se as investigações resultarem em que ele tenha culpa, evidentemente que ele arcará com a responsabilidade da culpa que for imputada por uma investigação isenta feita por um Senado que terá credibilidade porque terá feito a investigação sem a tutela presumida de autoridade nenhuma", defendeu José Agripino (DEM-RN).
O apoio a Sarney veio do seu partido, o PMDB, em nota assinada por 17 dos 19 senadores da bancada. "Os senadores do PMDB têm consciência das suas responsabilidades e aprovam as ações que estão sendo realizadas. Este é o momento para a implementação de grandes mudanças e, por isso mesmo, o partido continuará apoiando o presidente José Sarney e a Mesa Diretora na consecução desse objetivo", disse Valdir Raupp (RO), ao ler a nota em plenário.
O PTB também manifestou apoio a José Sarney e aos integrantes da Mesa Diretora.