Depois de ser cercado por jornalistas na quarta-feira ao deixar o Senado Federal, o esquema de segurança da Casa foi reforçado nesta quinta para a chegada do presidente José Sarney (PMDB-AP). Cordões de isolamento foram colocados em todo o caminho até a entrada no gabinete da presidência e os seguranças passaram instruções rígidas a fotógrafos: "não fiquem em cima do presidente", foi a ordem.
Sem poder chegar perto do peemedebista, os jornalistas pediram para Sarney dar alguma declaração sobre a crise no Senado, mas o presidente limitou-se a dizer "bom dia", acenar e sorrir para as câmeras, antes de entrar direto em sua sala, cercado por seguranças.
Nesta quarta, Sarney reclamou que os jornalistas o estavam impedindo de andar em direção ao carro oficial e repetiu que "não queria falar", como havia feito também na sexta-feira passada. Um incidente desta quarta também ganhou o noticiário, depois que um comediante do programa "CQC" foi derrubado por seguranças ao tentar falar com o peemedebista. A polícia legislativa do Senado se defendeu dizendo que "conflitos desse tipo às vezes acontecem".
A assessoria de imprensa de Sarney confirmou que ele se reunirá com o presidente Lula nesta quinta, mas o horário ainda não foi confirmado. Antes, o Presidente da República deverá se reunir com integrantes da bancada do PT para tratar da posição do partido em relação à permanência ou não de Sarney no cargo.
Uma reunião de senadores petistas está prevista para logo mais e servirá de preparação para a conversa com o presidente Lula.
A agenda de Sarney nesta manhã inclui uma sessão solene no plenário da Casa e uma reunião com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, entre outros compromissos. Ele também presidiria, a princípio, a sessão plenária do Senado.