O ex-diretor geral do Senado, Agaciel Maia, afirmou nesta quinta (2) à Polícia Legislativa do Senado, que falsificaram a sua assinatura em ao menos três dos chamados atos secretos apresentados contra ele. Após mais de quatro horas de depoimento, o ex-diretor negou ter assinado os atos e acusou servidores da Casa.
Mais de 600 atos não publicados foram usados para nomear funcionários e aumentar salários de forma secreta nos últimos quinze anos, segundo levantamento feito por comissão de sindicância do Senado. Agaciel presidiu a Casa nesse período e teria assinado a maioria deles. Os atos foram o estopim da crise que o Senado atravessa e pode levar à renúncia de seu presidente, José Sarney (PMDB-AP).
O depoimento faz parte de investigação feita a pedido do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Há a suspeita de que Agaciel teria utilizado os atos secretos para nomear assessores em gabinetes sem conhecimento dos congressistas. Lotados nos gabinetes, os funcionários trabalhariam em outros setores da Casa ou seriam "fantasmas", sem trabalhar em lugar algum.
Agaciel negou ter feito a indicação oculta de Lia Raquel Vaz de Souza no gabinete de Demóstenes e colocou a culpa no o ex-diretor de recursos humanos do Senado, João Carlos Zoghbi. Na terça-feira (30), Lia afirmou à polícia que nunca trabalhou no gabinete de Demóstenes, somente em outros setores do Senado.
A Polícia Legislativa deve ouvir no início da próxima semana o ex-diretor de RH e fazer uma perícia nas assinaturas de Agaciel. Em seu depoimento, Agaciel também fez novas denúncias. A polícia não revelou seu conteúdo, mas disse que elas não envolvem senadores.