Dilma diz que não se pode "demonizar" Sarney e cobra explicações do DEM
Claudia Andrade Do UOL Notícias Em Brasília
Atualizada às 13h47
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), defendeu nesta sexta-feira (3) o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e cobrou explicações do DEM, partido que o apoiou nas eleições à presidência da Casa e que agora pede seu afastamento temporário.
"Vocês me desculpem, mas eu não acredito, pelo tamanho da crise, pelo prazo da crise, e pela quantidade de atos, que era possível isso tudo ser praticado por uma pessoa. Não concordo em demonizar o presidente Sarney, o responsabilizar por toda essa crise. Concordo, sim, com a apuração", afirmou Dilma. "Concordo também em ver, em alguns momentos, o interesse de alguns - como disse o presidente Lula e faço minhas as palavras dele - em ganhar [o Senado] 'no tapetão'."
Sarney e Lula reuniram-se hoje em Brasília para discutir a questão. Às 13h40, Sarney deixou a reunião, mas não falou com a imprensa. Ele deixou a sede provisória do Palácio do Planalto, em Brasília, pouco depois da entrevista concedida pela ministra.
A ministra disse que chegou a encontrar-se com Sarney na casa dela esta semana, durante o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no exterior. Segundo Dilma, Sarney a procurou porque ela é a ministra da Casa Civil, e ela o aconselhou a esperar o presidente retornar ao país para tomar uma decisão.
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Em nome da "governabilidade", a bancada petista recuou e decidiu esperar a opinião de Lula sobre a permanência de Sarney no cargo
Além de defender Sarney, Dilma responsabilizou o DEM por parte da crise enfrentada pelo Senado. "Tem uma prática no Brasil que não está correta: achar sempre que você pega uma pessoa e joga ela aos leões, você está no caminho de solucionar as questões éticas. O modelo que se adota, estranhamente, é culpar por uma prática que tem mais de 15 anos uma pessoa, como se ela fosse a responsável", criticou.
A ministra cobrou ainda a responsabilidade do DEM e apontou que haveria interesse do partido em afastar Sarney para ocultar culpa própria. "Não concordo em culpar uma pessoa como se ela fosse a única responsável", disse Dilma. "A primeira coisa que eu, como gestora pública, olharia é o seguinte: quem é responsável pelos contratos, pelas passagens, pelos atos, por tudo? Soube eu, que é a 1ª Secretaria. Soube eu que os seus integrantes são todos do DEM. Estranhamente, o DEM pede o afastamento do presidente Sarney. Então, eu acho que tem um modelo no Brasil que dá pizza, que é esconder a questão debaixo do tapete. É assim: pega a pessoa, liquida-a, torna-a responsável por tudo e aí você esconde todos os malfeitos que não são específicos dela", completou.
Aliança para 2010 Na tarde de ontem (2), o líder do PT do Senado, Aloizio Mercadante, afirmou no plenário que o partido seguiria as recomendações do presidente Lula sobre a permanência do presidente do Senado no cargo, em discurso que priorizou a manutenção da aliança com o PMDB, fundamental na sucessão presidencial em 2010 na provável candidatura de Dilma. Mas ressalvou que a posição da bancada permanecia a mesma: "Não estamos pedindo a renúncia de Sarney, apenas um afastamento temporário", disse.
Na quarta, a bancada do PT decidiu pedir a Sarney que se afaste temporariamente do cargo enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa. Como resposta, o peemedebista disse que preferiria logo renunciar. Da Líbia, Lula afirmou que a oposição queria ganhar a presidência do Senado "no tapetão".
Após reunião na casa de Sarney, ainda na noite de quarta (1), a bancada recuou. Segundo Mercadante, os petistas não vão se indispor com o PMDB. "A aliança com o PMDB é fundamental para o país. Não me peçam um ato oportunista de acabar com a governabilidade." E criticou o DEM, partido aliado nas eleições na Casa que resolveu apoiar o afastamento de Sarney. "Nossos principais aliados, sobretudo o PMDB, estavam contra a nossa candidatura. Como simplesmente se retirar nesse momento e dizer que a crise é responsabilidade de José Sarney?"
Quatro partidos se manifestaram favoráveis ao afastamento temporário de Sarney enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa, principalmente atos secretos de nomeação de parentes e apadrinhados do próprio presidente do Senado -PSDB, PDT, PSOL e o aliado do peemedebista em sua eleição, DEM.