Declarações de bens de Sarney à Justiça Eleitoral contradizem alegação sobre mansão
Piero Locatelli Do UOL Notícias Em Brasília
A justificativa apresentada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por não declarar à Justiça Eleitoral a mansão avaliada em R$ 4 milhões onde mora em Brasília, entra em contradição com dados disponíveis na Justiça Eleitoral e que podem ser checados no site Políticos do Brasil.
Sarney atribui omissão de mansão da Justiça Eleitoral a "equívoco" de contador
Após a contratação de parentes e apadrinhados, agora Sarney pode ter de explicar a mansão avaliada em R$ 4 milhões onde mora em Brasília; imóvel não teria sido declarado à Justiça Eleitoral
A reportagem do UOL Notícias acessou as prestações de conta divulgadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e comparou as declarações de bens de Sarney com as informações alegadas pelo peemedebistas hoje. Em nota, a assessoria de imprensa da presidência do Senado afirma que "por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998".
As duas declarações, no entanto, são completamente distintas. Embora não conste em nenhuma delas a casa avaliada em R$ 4 milhões, residência do senador no Lago Sul, área nobre de Brasília, como diz Sarney, outros bens não correspondem.
O comparativo entre as declarações mostra que o patrimônio de Sarney quase dobrou nesse período e bens foram adquiridos e vendidos. O senador aumentou seu patrimônio de R$ 2.296.020,20 na declaração de 1998 (referente ao ano base de 1997) para R$ 4.263.263,45 na declaração de 2006 (referente a 2005).
No período, Sarney deixou de possuir um bote motorizado de madeira com construção artesanal, avaliado em R$ 12.246. Entre outros bens, também há cinco imóveis na declaração de 2006 que não constavam em 1998.
A assessoria de Sarney pediu tempo para "verificar as informações" antes de se pronunciar sobre o assunto.
Lula: saída pode "gerar crise política séria"
Em nome da "governabilidade", a bancada petista recuou e decidiu esperar a opinião de Lula sobre a permanência de Sarney no cargo
Crise no Senado Na tarde desta sexta, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), defendeu Sarney e cobrou explicações do DEM, partido que o apoio nas eleições à presidência da Casa e que agora pede seu afastamento temporário.
Sarney e Lula reuniram-se hoje em Brasília para discutir a questão. Às 13h40, Sarney deixou a reunião, mas não falou com a imprensa.
Aliança para 2010 Na tarde de ontem (2), o líder do PT do Senado, Aloizio Mercadante, afirmou no plenário que o partido seguiria as recomendações do presidente Lula sobre a permanência do presidente do Senado no cargo, em discurso que priorizou a manutenção da aliança com o PMDB, fundamental na sucessão presidencial em 2010 na provável candidatura de Dilma. Mas ressalvou que a posição da bancada permanecia a mesma: "Não estamos pedindo a renúncia de Sarney, apenas um afastamento temporário", disse.
Quatro partidos se manifestaram favoráveis ao afastamento temporário de Sarney enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa, principalmente atos secretos de nomeação de parentes e apadrinhados do próprio presidente do Senado -PSDB, PDT, PSOL e o aliado do peemedebista em sua eleição, DEM.