Após confirmar que o governo estuda reajustar o programa Bolsa Família, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez uma crítica nesta sexta-feira (3) ao considerar que ficou "estigmatizada" pela possível candidatura à sucessão de Lula em 2010.
Segundo a ministra, o aumento do benefício poderá entrar em vigor ainda este ano, com "repercussão" no ano de eleições. Questionada sobre o "caráter eleitoreiro" da medida, a presidenciável afirmou que, "hoje, no Brasil, tudo é eleitoreiro".
"Não há nada no Brasil que não seja eleitoreiro. Algo que mostra claramente que há um uso da questão eleitoral no Brasil. Em alguns momentos eu tenho certeza que sou estigmatizada por questões eleitorais. O que a gente pode fazer? Virou tudo eleitoral", afirmou.
A ministra citou programas do governo que são apontados como eleitoreiros, mas que, em sua opinião, deveriam ser avaliados pelos benefícios que trazem ao país. "Se o governo considera que a gente tem que fazer o Minha Casa, Minha Vida pra combater a crise, ninguém vai dizer que é pra combater a crise e gerar emprego, vai dizer que é eleitoral. Se a gente está fazendo um balanço dizendo que atingimos 2 milhões de ligações do Luz para Todos, ninguém diz que temos que comemorar."
Sobre o Bolsa Família, a ministra disse que a ideia não é fazer um aumento "pontual". "Não estamos pretendendo fazer uma medida pontual, mas explicitar qual vai ser o critério pelo qual o Bolsa Família vai ser reajustado. É mais um procedimento", completou.