O grupo responsável pela nova busca aos corpos dos desaparecidos na
Guerrilha do Araguaia começa nesta quarta-feira (8) a percorrer a região de Marabá, no Pará, à procura de cemitérios oficiais e clandestinos que possam guardar restos mortais dos combatentes. A expedição fica dez dias na área e depois segue para São Domingos e São Geraldo do Araguaia, também no Pará, e para Xambioá, no Tocantins, que abrigavam na década de 70 acampamentos militares. O prazo de funcionamento do grupo é de um ano.
Saiba mais sobre as buscas e a guerrilha do Araguaia na cronologiaQualquer material que for encontrado nas novas buscas será enviado aos laboratórios de perícia para a identificação. Até hoje, de todas as ossadas encontradas, somente os corpos de Maria Lúcia Petit da Silva e
Bergson Gurjão Farias foram identificados.
As escavações, que só
começam em agosto, serão encabeçadas pelo Exército e contarão com o apoio de outra 23 pessoas: 2 representantes do Estado do Pará, 2 do Distrito Federal, 1 procurador e 2 advogados da Advocacia Geral da União, 2 antropólogos do Museu Emilio Goeldi, 3 técnicos da Polícia Federal, 5 médicos legistas e 1 perita criminal, 1 professor de geologia e 1 técnico da Universidade de Brasília e 3 observadores independentes.
A presença dos militares no grupo causou indignação entre os familiares das vítimas. Em entrevista ao
UOL Notícias, Criméia Alice Schmidt de Almeida, integrante da Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos,
chamou a ação de "terrorismo" e disse que a presença do Exército vai amedrontar os camponeses que tiverem informações sobre as ossadas. Os familiares decidiram não participar da expedição.
Em nota, o Ministério da Defesa se defendeu dizendo que pode ajudar a superar as "dificuldades logísticas" enfrentadas por expedições anteriores e não vai interferir nas atividades de outras instâncias.
Mesmo assim, a escolha do ministro Nelson Jobim para coordenar as investigações causou "mal-estar" e provocou reação do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à SEDH, que rechaçou o
"caráter fundamentalmente militar" da missão e disse que o Ministério do Defesa causou "profundo constrangimento à Comissão por invadir sua área de competência legal". Pela lei 9.140/95, cabe à comissão buscar restos mortais de desaparecidos políticos.
Foi preciso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interviesse para aplacar as divergências e ficou definido que a operação seria levada adiante sob o comando de Jobim.
Novas informaçõesA pressão pelas buscas aumentaram depois que Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, responsável pelas ações dos militares contra a guerrilha do Araguaia,
abriu os documentos que guardava há 34 anos e depois que o governo brasileiro
pediu perdão e indenizou 44 camponeses da região perseguidos pela ditadura.
Decisão judicial -
José Genoino, em 1972, preso pelo Exército no Araguaia
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Os corpos de João Carlos Haas, o dr. Juca, e de outro guerrilheiro são observados pelo sargento José Antônio de Souza Perez (portador dos negativos das fotos) em 1972. Eles foram encontrados em uma área próxima às margens do rio Araguaia
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O ex-guerrilheiro Zezinho do Araguaia segura cartucho de fuzil achado em área de busca aos corpos desaparecidos
Depois de recorrer da decisão duas vezes e sem ter mais direito a recursos, o Ministério da Defesa criou o grupo de trabalho em cumprimento à ordem judicial de 2003, dada pela juíza federal Solange Salgado, que obriga o governo brasileiro a abrir os arquivos do Araguaia e devolver às famílias os corpos dos guerrilheiros desaparecidos.
Veja a lista dos integrantes do grupo de trabalhoDo Ministério da Defesa (Comando do Exército)
. Gal. de Brigada Mario Lucio Alves de Araujo
. Cel. de Infantaria Humberto Francisco Madeira Mascarenhas
. Cel. de Infantaria Anísio David de Oliveira Jr
. Cel. de Infantaria Edmundo Palaia Neto
. Ten. Cel. de Infantaria Amauri Silvestre
. Ten. Cel de Artilharia Márcio Kazuaki Fusissava
. Ten. Cel. Engenheiro Alfredo Alexandre de Menezes Jr
. Cap. de Infantaria Adriano Risso Ocanha
Do Estado do Pará
. José Roberto da Costa Martins
. Paulo César Fontelles de Lima Filho
Do Distrito Federal
. Valdir Lemos de Oliveira
. Cléber Monteiro Fernandes
Da Advocacia Geral da União
. Fábio Gomes Pina - advogado da União
. Ruth Jeha Miller - advogada da União
. Artur Vidigal de Oliveira - procurador federal
Do Museu Emilio Goeldi
. Ivete Nascimento - antropóloga
. Rodrigo Peixoto - antropólogo
Da Polícia Federal
. Marcelo de Lawrense Bassay Blum - geólogo
. Jefferson Evangelista Corrêa - médico
. Anderson Flores Busnello - odontólogo
Do Distrito Federal
. Elvis Adriano da Silva Oliveira - médico legista
. Ricardo César Frade Nogueira - médico legista
. José Geraldo Ponte Pierre Filho - médico legista
. Cristofer Diego Beraldi Martins - médico legista
. Aluísio Trindade Filho - médico legista
. Cláudia Regina B. de O. Mendes - perita criminal
Da UNB
. Wellington Rodrigues Borges - professor da área de geologia
. Péricles de Brito Macedo - técnico
Observadores independentes
. Fernando César Batista de Mattos - juiz federal da Associação dos Juízes Federais do Brasil
. Antonio Hermann Benjamin - ministro do Superior Tribunal de Justiça
. Aldo da Silva Arantes - Partido Comunista do Brasil