Atualizado às 20h37 Nova aeronave do governo brasileiro
A Embraer entregou nesta sexta-feira (25) um novo avião ao governo brasileiro. O jato 190 tem capacidade para até 44 passageiros e será usado no transporte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outras autoridades. Ele poderá ser usado, por exemplo, em viagens para a América do Sul sem a necessidade de escalas para abastecimento. Para Estados Unidos e Europa, será necessária apenas uma escala.
Uma segunda aeronave deverá ser entregue até o final deste ano. Os novos jatos substituirão os Boeing 737-200. Conhecidos como 'sucatinhas', eles são utilizados pelo Grupo de Transporte Especial das Forças Armadas desde 1976 e devem ser vendidos por meio de licitação.
"O Boeing conta com mais de 33 anos de utilização e, no Brasil, tem um apelido evocativo, de 'sucatinha'. Os problemas relacionados à sua manutenção levaram a FAB a solicitar a substituição das aeronaves", afirmou o ministro Nelson Jobim (Defesa), na cerimônia de entrega da aeronave, em Brasília.
A aeronave tem uma área privativa para o presidente da República, com espaço para reuniões, e também possui sistemas especiais de comunicação para garantir mais segurança. Pela internet, o presidente Lula poderá ficar em contato permanente com assessores.
"O presidente vai gostar muito de andar nesse avião", disse Jobim. "É um avião moderno, uma bandeira nacional chegando em todo lugar do mundo".
Conheça o novo avião da FAB
| Autonomia de vôo | 5.300 km |
| Capacidade | 44 passageiros |
| Tripulação | 5 pessoas |
| América do Sul | sem escalas |
| EUA e Europa | uma escala |
| Comunicação | satélite, contato permanente do presidente em viagem |
O ministro afirmou que o Brasil "não precisa ter constrangimento de divulgar" as empresas do país e que isso ocorrerá com o novo jato. "Toda vez que você entra em um aeroporto estrangeiro com uma aeronave brasileira, a disposição nossa é sempre mostrar, entusiasmá-los para ver do que se trata. Isso faz parte de um conjunto de marketing que nós temos que fazer. Não precisa ter constrangimento de divulgar nossas empresas".
A propaganda começa já na próxima semana, na Europa. Em Lisboa, o presidente Lula embarcará no novo avião rumo a Copenhague, na Dinamarca, onde o presidente acompanhará a escolha da sede das Olimpíadas 2016. O presidente tem agenda ainda em Bruxelas, na Bélgica, e Estocolmo, na Suécia. As viagens devem ser todas feitas com o novo jato.
Investimento de R$ 211 milhõesO contrato assinado com a Embraer em junho de 2008 prevê a compra de duas aeronaves. Cada uma delas custou R$ 87 milhões. O governo adquiriu ainda um pacote logístico (manutenção e suprimentos) de R$ 37 milhões. Deste montante, R$ 154 milhões já foram pagos, segundo o Ministério da Defesa - o restante será pago no ano que vem.
"Tem se falado muito sobre compras. O Brasil não compra, o Brasil investe. Enquanto a indústria nacional ainda não se desenvolveu o suficiente para ter os equipamentos necessários para a defesa nacional, o Brasil admite sentar na mesa com países e empresas estrangeiros e conversar sobre esse tema da capacitação da empresa nacional", disse Jobim.
O Brasil está negociando a compra de 36 novos aviões de combate para a FAB. Entre os concorrentes estão a francesa Dassault, a sueca Saab e a norte-americana Boeing, mas o presidente Lula e o próprio Jobim já anunciaram a preferência pelos aviões franceses Rafale.
Acidente com RafaleNesta quinta-feira, dois aviões Rafale caíram no mar Mediterrâneo. O acidente ocorreu ao final de uma missão de teste. As aeronaves caíram no sul da França. Avaliações preliminares teriam indicado um "acidente de voo" que não teria relação com o avião, segundo o Ministério da Defesa francês.
O ministro Nelson Jobim, entretanto, afirmou hoje que o
acidente "não interfere" na negociação do governo brasileiro com a empresa Dassault para a compra de 36 aviões.
"Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não interfere absolutamente em nada. Talvez seja um movimento de exercício, erro humano, etc. Não há problema nenhum, nenhuma justificativa que preocupe nessa parte", disse o ministro.