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10/10/2009 - 07h00

Nanicos e infiéis incham na Câmara durante governo Lula; PT, PSDB e DEM encolhem

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, os partidos de presença nacional que assumiram integralmente a condição de governo ou oposição viram dezenas dos parlamentares que ajudaram a eleger deixando suas fileiras na Câmara, enquanto siglas menores, muitas delas ideologicamente flexíveis, recebiam deputados dispostos a aderir ao próximo ocupante do Palácio do Planalto seja quem for.

Após o troca-troca da semana passada, quando terminou o prazo de filiação partidária para candidaturas na eleição de 2010, cristalizou-se o inchaço de siglas com bancadas menores e das que apóiam o governo pontualmente. Enquanto PR e PSC, por exemplo, cresceram na Câmara, PT, PSDB e DEM, os três partidos que protagonizam o debate ideológico em Brasília, só encolheram na Casa nos últimos sete anos.

O recuo mais expressivo entre os três é o do oposicionista DEM, ex-PFL. Derrotado na eleição presidencial de 2002, quando caminhou ao lado do atual governador paulista, José Serra (PSDB), ainda assim a sigla ficou entre as maiores da Câmara: tinha 84 parlamentares ali. Quatro anos depois, conduziu 65 parlamentares ao cargo, embora houvesse ainda mais vagas em disputa - na ocasião o número de deputados subiu de 503 para 513. Agora, de acordo com dados do site da Câmara, o DEM conta com 57 parlamentares.

"Essa diminuição no partido é também porque o governo usa os seus ministérios, liberações de verbas para atrair parlamentares", afirmou ao UOL Notícias o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). "No Brasil ainda não há uma tradição de oposição atuante, há gente que entra pela vida pública sem formação ideológica e acaba achando que sendo próximo do governo você consegue atender melhor à região que o elegeu. Aí eles migram para partidos mais fragmentados e desistem de exercer a fiscalização que cabe à oposição."

Edmar "Castelo" Moreira (MG) trocou o DEM pelo PR

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Na reta final do processo de filiação partidária, pelo menos 27 deputados mudaram de partido. Sete deles aderiram ao centrista PR, que comanda o Ministério dos Transportes. Nos últimos anos, a sigla foi inchada por ex-integrantes do DEM, como Edmar Moreira - conhecido como o deputado do Castelo - e o ex-presidente da Câmara Inocêncio de Oliveira (PE). Em 2002, contava com 32 deputados e hoje soma 45 deles.

Cinco outros deputados da atual legislatura rumaram ao pouco conhecido PSC, que tem vínculos com igrejas evangélicas e agora com caciques políticos locais, como o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e o senador Mão Santa (PI), ambos ex-peemedebistas. Há sete anos, levou a Brasília apenas um deputado. Hoje conta com 15 parlamentares na Casa.

Debandadas

Mesmo com dois presidenciáveis, Serra e o governador mineiro, Aécio Neves, o PSDB também perdeu força na Câmara durante o governo Lula. Em 2002, elegeu 71 parlamentares na Casa. Na votação seguinte, sua bancada caiu para 66. Após o fim do período de filiação partidária para a disputa do ano que vem, o partido passou a sigla com 57 deputados - sempre de acordo com o site da Câmara dos Deputados.

"Os partidos em geral têm pouca densidade política e ideológica. Isso influencia para que os deputados sejam mais sujeitos a lobbies e pressões", afirma o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP). "Juntam-se isso as dificuldades naturais em fazer política na oposição. No Brasil a política ainda fica muito associada à máquina, alocar recursos, ter posições na estrutura de governo. E o resultado é esse: há uma fragilização numérica e ideológica na oposição, inclusive no nosso partido."

Ex-petista, Ivan Valente (SP) ajudou a fundar o PSOL

  • Folha Imagem
A debandada tucana é diferente da que fez minguar a bancada petista na Câmara, diz o líder do partido na Casa, Cândido Vaccarezza (SP). Maior bancada de deputados eleita em 2002, com 91 parlamentares, o PT perdeu a liderança na reeleição de Lula para o PMDB. Na reta final de filiações acabou com 78 deputados - perdeu dois deles para o PV, mesma sigla que tirou a senadora Marina Silva (AC) da sigla para colocá-la na disputa pela sucessão de Lula em 2010.

"O PT é um partido ideológico, não tem entra e sai. A diferença foi a saída do grupo que fundou o PSOL porque passou a discordar do partido. Mas nossa situação é diferente", afirmou. "A oposição está sem agenda, o deputado vê que tudo que querem é fazer e desfazer CPI para investigar o governo. É natural que quem se sente assim vá para um partido onde possa ajudar a construir alguma coisa. Mesmo na oposição se tenta construir e a nossa constrói bem pouco", avaliou.

Para as próximas eleições, o tucano Serra e a provável candidata pelo PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já fazem disputam nos bastidores o apoio de lideranças dos partidos ditos centristas. O principal deles é o PMDB, que tem uma ala mais próxima do PSDB e outra que já gira em torno da preferida do presidente Lula.

Em 2002, o PMDB elegeu 72 parlamentares e se tornou a maior bancada da Câmara quatro anos depois, com 89 parlamentares. O partido não confirma e o site da Casa não referenda, mas depois da semana de filiação a estimativa é que o partido tenha perdido cinco deputados, de acordo com dados extra-oficiais.

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