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05/11/2009 - 12h29

Azeredo considera "estranho" tratamento dado a ele no caso do "mensalão mineiro"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Barbosa desmente Azeredo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federa), Joaquim Barbosa, rebateu nesta quinta-feira o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), e sustentou que consta na denúncia do Ministério Público Federal um recibo de R$ 4,5 milhões que teria sido assinado pelo tucano para honrar compromissos diversos com as agências de publicidade de Marcos Valério

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) classificou de "estranho" o tratamento dado a ele no caso do "mensalão mineiro", suposto esquema de caixa dois utilizado na campanha para reeleição ao governo mineiro em 1998. Ele também negou ter conhecimento de patrocínios supostamente irregulares que teriam sido realizados para desviar dinheiro para sua campanha eleitoral.

Nesta quinta-feira (5), o senador concedeu entrevista coletiva para falar sobre o julgamento que foi iniciado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito da denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, que o envolve ao "mensalão mineiro".

Na entrevista, o senador foi questionado se considerava que o Supremo estava dando um tratamento diferenciado ao processo, em comparação com o mensalão envolvendo petistas, uma vez que neste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegou que não tinha conhecimento das acusações e não foi incluído no processo.

Caso foi embrião do mensalão, diz relator


"Eu acho estranho. Estranho. Não vou entrar no mérito da outra questão, mas a situação é basicamente muito semelhante. Eu era governador, uma campanha descentralizada, com delegações de poderes, e o presidente Lula também concorreu em situações semelhantes. E ele não recebeu nenhum inquérito a esse respeito", avaliou o senador.

Na denúncia da Procuradoria Geral da República, o suposto esquema do mensalão mineiro é apontado como embrião do mensalão que envolveu a base governista e foi denunciado por Roberto Jefferson. O publicitário Marcos Valério é apontado como articulador dos dois esquemas.

Apenas Azeredo está sendo alvo do julgamento do STF, por ter foro privilegiado. Nesta quarta, o ministro relator, Joaquim Barbosa, aceitou a denúncia relacionada ao crime de peculato (desvio de bem público realizado por funcionário público). A parte relativa a lavagem de dinheiro deverá ser analisada na continuação do voto, nesta tarde.

Senador diz que desconhecia patrocínios
O senador Azeredo afirmou ainda que não tinha conhecimento dos patrocínios a eventos esportivos que, de acordo com a denúncia, serviriam de fachada para desviar recursos para sua campanha. "Eu não autorizei os patrocínios mencionados. Não há nenhum documento que prove o contrário", disse.
  • 18.02.2009 - Alan Marques/Folha Imagem

    O senador Eduardo Azeredo é acusado de participar de um suposto esquema de caixa dois durante sua campanha de reeleição para o governo de MG


O denunciado afirmou que nem o presidente do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), instituição que teria liberado dinheiro para o evento esportivo, sabia do patrocínio. "Que o patrocínio foi feito pelo Bemge, eu fiquei sabendo no ano passado. É uma imputação absurda sobre essa pretensa irregularidade", disse.

Azeredo afirmou ainda que um recibo de R$ 4,5 milhões, que teria sido assinado por ele para a empresa de Marcos Valério, e faz parte do processo, é falso. "O recibo é falso, tem erros grosseiros de falsificação. Diz que o montante é para saldar compromissos, com saldar grafado com U".

Segundo o senador, desde janeiro de 2007 ele move um processo na Justiça de Minas Gerais contra um lobista que seria o responsável pela falsificação. "Quero trazer aqui minha indignação. É inacreditável que se utilize um documento como esse como peça incriminatória".

Quando o relator concluir seu voto, a Corte terá de decidir se acolhe ou não a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, envolvendo crimes de peculato (desvio de bem público realizado por funcionário público) e também de lavagem de dinheiro, que será alvo de análise do relator nesta quinta. Caso a denúncia seja rejeitada, o inquérito será arquivado.

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