Decreto no Pará atinge duas fazendas de Dantas
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), editou um decreto para regularizar a posse definitiva de 252 áreas aforadas --propriedades do Estado cedidas nas décadas de 1950 e 1960 para colonização e extrativismo. A medida atinge fazendas do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.
A Polícia Civil do Pará abriu inquérito nesta quinta-feira (5) para apurar os culpados pela destruição nas fazendas Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás (PA), e Rio Vermelho, em Sapucaia (PA), ambas ocupadas por sem-terra de várias organizações, inclusive do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
O Agro Santa Bárbara, conglomerado proprietário da fazenda Maria Bonita e de várias propriedades no sul do Pará, acusou o MST de comandar a destruição. Um dos donos do conglomerado é o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.
Ontem (4), o Agro Santa Bárbara acusou o MST de queimar e depredar casas, destruir tratores, expulsar empregados e roubar parte do gado da fazenda Maria Bonita. O movimento nega que tenha participado da destruição e acusa os fazendeiros da região de promover a violência contra os sem-terra.
De acordo com o MST, 18 sem-terra foram baleados por seguranças de fazendas no Pará desde fevereiro desse ano. O movimento diz também que milícias armadas, financiadas por latifundiários, atuam no Estado perseguindo trabalhadores. A Secretaria Estadual de Segurança Pública e a Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Redenção (cidade ao sul do Pará), órgão da Polícia Civil, afirmam desconhecer a existência desses grupos.
Os sem-terra ocupam a fazenda Maria Bonita desde 2008, alegando que a propriedade foi grilada e pertence ao poder público. Segundo o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), a fazenda, assim como outras propriedades do Agro Santa Bárbara, foi comprada ilegalmente e não poderia criar gado, já que a área é destinada exclusivamente à produção de castanhas. O Estado do Pará entrou na Justiça para retomar a propriedade no início de 2008, mas até hoje nada foi decidido.
Feridos três sem-terra por seguranças no PA
Pelo menos três sem-terra teriam sido feridos num confronto com seguranças da Fazenda Maria Bonita, do grupo do banqueiro Daniel Dantas, em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, no início da tarde de hoje
Já na fazenda Rio Vermelho, de acordo com levantamento prévio da Deca, foram destruídas seis casas e o curral. O Iterpa não soube informar se a fazenda Rio Vermelho, ocupada por trabalhadores sem-terra desde 2006, também pertence ao Opportunity. O MST também nega a participação na destruição.
Segundo a Deca e a SSP não é comum esse tipo de ação no Pará. A secretaria afirmou ainda que não há registro de militantes do MST presos no Estado.
Jornada de lutas no Pará Nessa quarta-feira (4), com a ocupação do prédio do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o MST do Pará iniciou uma jornada de lutas para cobrar do poder público celeridade nos processos de reforma agrária. Há, segundo o movimento, cerca 2.200 famílias no Estado, em 12 acampamentos, aguardando serem assentadas.
MP denuncia soldado por morte de sem-terra no RS
O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou um soldado da Brigada Militar suspeito de ter matado um integrante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) durante uma ação de reintegração de posse em agosto em uma fazenda de São Gabriel, na região central do Estado
Como parte da jornada de lutas, o MST bloqueou ontem a rodovia PA-150 em três pontos e a PA-158. As pistas já foram liberadas pela polícia após negociação com os sem-terra. Nesse momento, militantes e trabalhadores ocupam a Curva do S - em Eldorado dos Carajás, onde dezenove sem-terra foram mortos pela Polícia Militar em 1996 - em protesto. O movimento convocou autoridades federais e estaduais para discutir o andamento da reforma agrária no Estado.
MST encaminha denúncia à OITNa segunda-feira (2), João Paulo Rodrigues, integrante da coordenação nacional do MST, entregou uma denúncia ao diretor-geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavia, e à representante permanente do Brasil junto à ONU (Organização das Nações Unidas), embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, na qual afirma que o movimento sofre um processo de repressão e criminalização.
No documento, o MST cita como o exemplo a criação da CPI do MST no Congresso, que, segundo o movimento, foi instalada como forma de represália ao anúncio do governo federal da atualização dos índices de produtividade da terra, utilizados como parâmetro para desapropriações de terra para a reforma agrária.
Os índices estão desatualizados desde 1975. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu aos sem-terra que a revisão dos índices, bandeira histórica do movimento, seria assinada até o início de setembro, mas até hoje a medida não se concretizou.