Em discurso a empresários na capital paulista nesta segunda-feira (9), o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, afirmou que não é obcecado pela Presidência da República e que estará ao lado do candidato tucano à sucessão, mesmo que não seja escolhido. Ele elevou o tom das críticas contra o governo federal e contra a possibilidade de a votação em 2010 ter caráter de plebiscito da gestão Lula.
Aécio declarou há algumas semanas que, se o PSDB não definir seu candidato até dezembro, vai disputar uma vaga no Senado. O mineiro declarou que é necessária "uma nova convergência" para que "o pós-Lula tenha mais consensos entre governo e oposição do que aconteceu em todas as eleições desde 1994".
Na mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, o governador de São Paulo, José Serra, lidera nas intenções de voto, o que o coloca como favorito na disputa interna do PSDB contra Aécio Neves. Em cenário sem Serra, o governador mineiro aparece em quarto lugar, atrás do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e de Heloisa Helena (PSOL).
"Não tenho obsessão para ser presidente da República. Tenho responsabilidade com o meu Estado e com o meu país", disse o governador. "Como dizia meu avô, Tancredo Neves, presidência não é projeto, é destino", declarou, descartando a possibilidade de aderir a uma chapa tucana como vice de Serra.
CríticasAécio, considerado um dos governadores tucanos mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a gestão do petista, em especial na política fiscal e na montagem da agenda política. Ele também alfinetou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), conduzido pela provável candidata governista em 2010.
"Não podemos inflar expectativas com programas feitos de improviso", disse o tucano. "O governo não introduziu mudanças necessárias nem com amplo apoio no Congresso nem com uma popularidade do presidente de 70%. Perdeu oportunidades e agregou menos do ponto de vista administrativo".
Apesar das críticas, Aécio voltou a reconhecer avanços na área social e na superação da crise financeira, iniciada em setembro do ano passado. No entanto, insistiu que a votação do ano que vem não pode ser uma armadilha plebiscitária em que o legado de Lula não estará em jogo. "Em 2010, não estaremos dizendo sim ou não ao governo do presidente Lula, estaremos discutindo o futuro. E também precisaremos evitar qualquer candidatura que expresse monopólio do conhecimento e da virtude".