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26/11/2009 - 07h00

Lula chega hoje a Manaus para cúpula esvaziada de países amazônicos; presidente tenta meta conjunta para conferência do clima

Leandro Prazeres
Especial para o UOL Notícias
Em Manaus
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje (26) com representantes dos países da Pan-Amazônia (composta por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa) e da França para tentar um acordo sobre redução de metas de gases do efeito estufa.

A ideia é levar uma meta conjunta da região para a 15ª Conferência do Clima (COP-15), em dezembro, em Copenhague. A reunião de hoje será em Manaus (AM), mas começará esvaziada. Dos dez países, apenas quatro confirmaram o envio de seus mandatários: Brasil, Guiana Francesa, Venezuela e França.

Diplomatas brasileiros afirmam que o encontro servirá para tentar consolidar a posição de liderança do Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas. No início deste mês, o Brasil anunciou metas voluntárias de redução de emissões de gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% em relação ao relatório de 2005. Ontem, as metas apresentadas pelo governo federal foram aprovadas pelo Senado.

Até o momento, o Brasil é o único país da região amazônica que apresentou metas de redução de emissões. A participação da França no encontro é vista como estratégica por especialistas que esperam uma interação maior entre os países em desenvolvimento e a Europa.

"Acho que essa reunião é um grande avanço na história das negociações sobre mudanças climáticas. É uma ótima oportunidade do Brasil firmar sua posição de líder nesse processo e tentar trazer os países da Panamazônia para dentro de um compromisso de redução de emissões", afirmou coordenador do programa Mudança Climática do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho.

Uma das ausências mais sentidas da cúpula será a do presidente colombiano Álvaro Uribe, que, na noite de ontem, anunciou que não iria participar do evento. A expectativa era de que o presidente Lula intermediasse uma espécie de distensão entre Uribe e o presidente venezuelano Hugo Chávez. Nas últimas semanas, as tensões entre os dois países aumentaram na área de fronteira. Os militares venezuelanos chegaram a implodir pontes que ligam a região venezuelana de Táchira à Colômbia.

Outra expectativa do encontro é em relação ao posicionamento do presidente Lula sobre a carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dias antes da visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em que pede "ajuda" no trato com o país do Oriente Médio.

Pela carta, Obama comunicou seu apoio à eleição em Honduras, que foi negociada pelo governo dos Estados Unidos e que até agora não recebeu o apoio de Brasília. Há mais de dois meses, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, se "hospeda" na embaixada brasileira em Tegucigalpa (capital de Honduras) de onde lidera a "oposição" ao presidente em exercício, Roberto Micheletti.

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