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09/03/2010 - 12h50

Em coluna, Lula reforça que compra de caças depende de transferência de tecnologia "irrestrita"

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em sua coluna semanal, divulgada nesta terça-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que decisão de comprar caças para a FAB (Força Aérea Brasileira) ainda não foi feita por conta da “análise estratégica, política e econômica para apontar qual proposta trará mais benefícios para a sociedade”.

“Posso adiantar que a empresa a ser escolhida, seja qual for, terá que se comprometer com a transferência irrestrita de toda a tecnologia de ponta”, escreveu o presidente, respondendo a uma pergunta sobre a compra de 36 caças. Os aviões que disputam a licitação bilionária são o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, o Gripen NG, da sueca Saab, e o Rafael, da francesa Dassault, considerado favorito. A transferência é vista como principal entrave para a compra do avião da Boeing.

“Ainda não tomamos uma decisão a respeito justamente pela importância que a escolha terá sobre a capacidade de defesa e sobre o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil. Temos que ser muito cautelosos. A FAB já fez sua análise e pré-selecionou três modelos que atendem às suas necessidades técnicas. Agora é a hora de o governo fazer a análise estratégica, política e econômica para apontar qual proposta trará mais benefícios para a sociedade”, afirmou Lula.

"Decidimos fazer da política nacional de defesa um eixo de desenvolvimento econômico e de autonomia tecnológica. Vamos bater o martelo somente depois de concluída a análise do Ministério de Defesa, de ouvir o Conselho de Defesa Nacional e considerando as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa. Posso adiantar que a empresa a ser escolhida, seja qual for, terá que se comprometer com a transferência irrestrita de toda a tecnologia de ponta", completou.

Interlocutores do presidente e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, avaliam que o avião francês já foi escolhido – Lula chegou a antecipar o anúncio durante encontro com seu colega Nicolas Sarkozy -, mas o governo estaria mostrando abertura a negociar para que a Dassault reduza o preço dos Rafale. A empresa francesa já diminuiu de US$ 8,2 bilhões para US$ 6,2 bilhões o preço.

Mesmo com a redução, o Rafale segue mais caro que os concorrentes. O norte-americano F-18 e o sueco Gripen custam, respectivamente, US$ 5,7 bilhões e US$ 4,5 bilhões. Brasil e França têm outros acordos no setor de defesa, envolvendo helicópteros, submarinos, cooperação policial, transporte, agricultura, imigração e tecnologia.
 

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