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O governador de São Paulo, José Serra, admitiu nesta sexta-feira pela primeira vez a candidatura à Presidência da República pelo PSDB
Atualizado às 15h
O governador de São Paulo, José Serra, admitiu nesta sexta-feira (19) que será o candidato do PSDB à Presidência da República. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, ele deve enfrentar a preferida do petista para sucedê-lo, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Em entrevista a um programa da TV Bandeirantes, o tucano, aniversariante do dia, deixou de lado as respostas evasivas que deu à imprensa nas últimas semanas. "Não estou negando (a candidatura). Estou dizendo que neste momento não vou fazer campanha. Faltam poucos dias", afirmou. O governador disse que vai ajudar a organizar sua candidatura no início de abril.
O tucano falou também sobre a escolha de seu candidato a vice, uma decisão que os aliados consideram crucial em sua campanha. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é cotado para entrar na disputa, mas rejeitou a hipótese até agora para se concentrar na busca por uma vaga no Senado e na tentativa de reeleger seu sucessor, o vice Antonio Anastasia (PSDB).
"Essa coisa de vice é para mais adiante. Só vai ser resolvido no fim de maio", afirmou.
A decisão de Serra abre caminho para o secretário do Desenvolvimento de São Paulo e ex-governador, Geraldo Alckmin, disputar o cargo nas eleições de outubro. Ele enfrentava resistência interna do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que deverá abrir mão da concorrência para integrar o núcleo da campanha presidencial tucana.
Alckmin lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo. Nos últimos dias, a oposição no Estado apontava para indicar o senador petista Aloizio Mercadante, derrotado por Serra no primeiro turno em 2006, para enfrentar o ex-governador nas urnas.
Há exatos quatro anos, Serra era prefeito de São Paulo e estava com dúvidas sobre se concorreria ao Palácio dos Bandeirantes depois de perder a indicação do partido para Alckmin. No fim do prazo de desencompatibilização, o tucano deixou a prefeitura paulistana para Gilberto Kassab (DEM) e venceu Mercadante no primeiro turno.
Desde então, aparece nas pesquisas de intenção de voto como líder nas preferências para ocupar o cargo de Lula no Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, no entanto, Dilma tem reduzido a desvantagem em relação a Serra, ministro do Planejamento e da Saúde no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisa Ibope divulgada nesta semana, apontou o tucano com 35% das intenções de voto contra 30% da petista.
Serra estava pressionado por aliados para admitir a candidatura, uma vez que o governador de Minas Gerais e também presidenciável, Aécio Neves, abriu mão de concorrer no fim do ano passado. Políticos do Democratas e do PPS, aliados do PSDB, atribuíram o avanço da ministra nas pesquisas à demora na definição do governador paulista.
Na quinta-feira, em evento no Rio de Janeiro, FHC defendeu que o PSDB deveria não esperar Serra assumir a candidatura para fazer propaganda. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o ato de lançamento da segunda tentativa de Serra de se eleger presidente será no dia 10 de abril, em Brasília.
Palco do anúncio
O governador de São Paulo, que no mês passado disse a interlocutores que teria "nervos de aço" para não anunciar sua candidatura precocemente, admitiu pela primeira vez que tentará a Presidência da República no programa "SP Acontece", comandado pelo jornalista José Luiz Datena.
O programa mistura atrações esportivas a noticiário policial. Durante a exibição da entrevista de cerca de 25 minutos, o apresentador fez dezenas de elogios ao governador, a quem abraçou e desejou boa sorte. Serra retribuiu chamando-o de "independente".
Durante a conversa, Serra falou sobre temas de saúde e economia, em tom de campanha. Ensaiou também o discurso de que Dilma será a candidata do governo, e não Lula. Sinalizou também a aposta de comparação de biografias, uma vez que a ministra disputará neste ano sua primeira eleição.
Mais tarde, segundo a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, Serra afirmou que Datena, e não ele próprio, lançou sua candidatura à Presidência da República. Depois da exibição da entrevista, o apresentador cobrou menção ao seu nome no UOL.
Quatro anos atrás
Depois de uma desgastante disputa interna contra o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra comemorou seu aniversário de 64 anos em 2006 no primeiro ato político ao lado do rival, dias antes ungido candidato à Presidência pelo PSDB.
Na ocasião, o então prefeito de São Paulo inaugurava obras da calha do rio Tietê em um ato que também lembrava o ex-governador Mario Covas. Os tucanos pressionavam na época para que ele admitisse candidatura para o governo do Estado, o que se confirmaria semanas depois.
Mas, seguindo estilo que parece ter passado longe desta sexta-feira, evitou responder e foi enigmático sobre sua presença na prefeitura – evocando uma música dos Beatles em referência à idade que completava. “Hoje eu chego a essa idade e pergunto à cidade: Will you still need me/Will you still feed me/When I'm sixty-four? (Você ainda precisará de mim/você ainda me alimentará/quando eu tiver sessenta e quatro anos?)".
Alckmin acabou derrotado por Lula e, depois de amargar um período de ostracismo, voltou aos holofotes públicos graças a Serra, que o indicou Secretário de Desenvolvimento. Além de Dilma, o tucano pode ter como adversários o deputado Ciro Gomes (PSB), cuja candidatura depende de apoio na base aliada de Lula, e a senadora Marina Silva (PV).

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