Lembrar vítimas de Auschwitz é lembrar perseguidos por ditaduras, diz Dilma
Naira Hofmeister
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre
Em sua primeira agenda oficial no Rio Grande do Sul, na noite dessa quinta-feira (27), a presidente Dilma Rousseff participou de uma solenidade em homenagem as vítimas do Holocausto durante o regime nazista na Alemanha. A presidente comparou os judeus assassinados nos campos de concentração aos mortos e desaparecidos durante as ditaduras militares.
“Os campos de concentração inauguraram as prisões modernas. E o nazismo significou um novo trato ao opositor político que deixou de ser silenciado pelo combate e foi reduzido a uma condição sub-humana por meio da tortura e da dor”, comparou.
Dilma falou por quase vinte minutos e suas palavras foram marcadas pela analogia entre o regime militar e o extermínio dos judeus durante o Holocausto. “Lembrar as vítimas de Auschwitz é lembrar todos os perseguidos por ditaduras”, observou.
A comparação entre ambas as situações também foi o tema da fala do presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg. “A senhora sabe melhor que todos o que significa ser torturada e ter os seus direitos de expressão subtraídos”, lembrou. Dilma foi presa política no Brasil no início dos anos 70.
A Secretária Nacional de Direitos Humanos, ministra Maria do Rosário, também lembrou a perseguição política no recente passado brasileiro. Mas nesse caso, Rosário citou a deportação de Olga Benário no governo de Getúlio Vargas. Olga era mulher do líder comunista Luis Carlos Prestes e foi entregue aos nazistas pelo então presidente Getúlio Vargas.
Continuidade
A presença de Dilma na solenidade brasileira que lembra o Dia Internacional do Holocausto é inspirada na política de seu antecessor, Luiz Inacio Lula da Silva. O ex-presidente esteve presente às quatro homenagens anteriores, que aconteceram em distintos estados brasileiros.
“A nossa presidente, a exemplo de Lula, deixa seu primeiro árduo momento de trabalho para estar aqui”, sublinhou Lottenberg.
A data foi instituída em 2006 pela Assembleia Geral das Nações Unidas e marca o dia em que as tropas soviéticas descobriram o campo de Auschwitz, na Polônia, em 1945.
A homenagem aos judeus mortos nos campos de concentração levou inúmeros políticos à Porto Alegre. Entre os convidados estavam o governadores da Bahia Jaques Wagner (PT) e o prefeito de São paulo, Gilberto Kassab (DEM). Também o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT) estiveram presentes.
Encontro com Tarso Genro
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro anunciou que nesta sexta (28) entregará uma pauta de reivindicações à chefe do executivo federal. “Vamos discutir investimentos do PAC 2 e de outros programas para o Rio Grande do Sul”, informou.
A reunião estava programada originalmente para acontecer no voo que Dilma faria até a cidade de Candiota, no sul do Estado, onde inauguraria a terceira fase da usina Presidente Médici. A agenda, no entanto foi cancelada na noite de ontem sem que fossem conhecidas as justificativas.
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