"Qualquer comissão que eu fosse, seria do mesmo jeito", diz Tiririca sobre indicação
Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília
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Ailton de Freitas/Agência O Globo
O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, foi indicado para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados
O deputado federal mais votado do Brasil nas últimas eleições, Francisco Everaldo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), afirmou nesta terça-feira (1º) ao UOL Notícias que se sente vítima de preconceito por parte da imprensa e até de alguns parlamentares, e que já esperava a repercussão negativa sobre sua indicação para compor a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
“Qualquer comissão que eu fosse participar, seria do mesmo jeito”, afirmou. “Acho que [o tema] da comissão tem tudo a ver com a minha profissão, com o que eu faço”, completou, referindo-se à área de cultura.
Tiririca teve a diplomação para o cargo ameaçada após suspeita de falsificar a declaração de que sabia ler e escrever. Ele foi inocentado pela Justiça.
Ao ser indagado sobre quais projetos pretenderia apresentar, Tiririca não quis dar detalhes, apenas afirmou que “na hora certa, irá apresentá-los”.
Tiririca ressaltou que é um trabalhador. “O que a imprensa esquece é que sou um pai de família, sou trabalhador, que sempre batalhei pra conseguir sair do interior do Ceará e depois ser o deputado mais votado do Brasil.”
Erros e discurso
Logo na primeira votação da qual participou, a que decidiu sobre o reajuste do salário mínimo, Tiririca se envolveu em polêmica. Na ocasião, primeiro disse ter votado errado. Depois, alegou que havia “votado com o povo” ao escolher o reajuste de R$ 600 no lugar dos R$ 545. O partido dele, o PR, já havia definido que votaria em apoio ao governo – uma vez que o PR faz parte da base aliada que elegeu a presidente Dilma Rousseff.
Questionado sobre o que de fato ocorreu, Tiririca confirmou que "votou com o povo", já conversou com o partido e que não sofrerá punições por isso. “A gente conversou e eles entenderam. Pra mim, é muito difícil tudo aqui. Eu faço o que o meu partido mandar”, disse.
Às segundas e quintas-feiras, ele continua com suas atividades como humorista e já avisou à diretoria do programa que não quer falar de política em seus quadros na televisão. “Quem votou em mim queria me ver aqui de chapéu. Aqui quem está é o Everaldo. Palhaçada, aqui , não. Não acho legal.”
Seu primeiro discurso na Casa estava marcado para ontem no plenário, mas Tiririca passou o espaço para outro colega, alegando não estar preparado para a tarefa. “A expectativa é grande de vocês, dos próprios deputados. Deixa eles sofrerem mais um pouco”, brincou. O deputado disse que ainda não pensou sobre o tema do discurso.
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