Reajuste do Bolsa Família vai injetar R$ 1,3 bilhão na economia do Nordeste em 2011

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

O reajuste médio de 19,4% do programa Bolsa Família, anunciado pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira (1º), terá um impacto significativo na economia do Nordeste, região em que 40% das famílias dependem do benefício. Ao todo, 6,5 milhões de nordestinos recebem mensalmente a bolsa do governo federal (veja tabela abaixo) e serão diretamente beneficiados com o aumento.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, o programa é destinado a famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza e cobre 12,9 milhões de famílias em todo país -- com destinação mensal de R$ 1,2 bilhão. Desse total, o Nordeste fica com mais da metade -- R$ 642 milhões.

De acordo com os cálculos Cícero Péricles, do professor da Universidade Federal de Alagoas e especialista em economia popular, o reajuste anunciado pelo governo federal vai injetar R$ 130 milhões mensais a mais na economia nordestina a partir de março e R$ 1,3 bilhão até o fim de 2011.

Segundo ele, o Nordeste será a região que sentirá o maior impacto do reajuste, já que mais de 50% dos beneficiários do programa estão na região. "No Nordeste, os beneficiários do Bolsa Família são 6,5 milhões de famílias, num universo total de 16,6 milhões [segundo dados do governo federal de 2009]. Com esse aumento, o consumo reprimido desses beneficiários, como o conserto da bicicleta que estava quebrada, ou a compra daquela camisa nova, entra em cena", disse.

ESTADO FAMÍLIAS VALOR MENSAL
ALAGOAS 418.753 40.994.637,00
BAHIA 1.652.339 160.542.593,00
CEARÁ 1.042.914 100.222.291,00
MARANHÃO 895.239 92.138.744,00
PARAÍBA 471.851 45.450.954,00
PERNAMBUCO 1.094.847 105.330.222,00
PIAUÍ 438.058 42.576.931,00
RIO GRANDE DO NORTE 339.012 32.039.880,00
SERGIPE 239.636 23.496.634,00
NORDESTE 6.592.649 642.792.886,00
  • Fonte: MDS, março de 2011. Dados ainda sem o reajuste

Para Péricles, os setores da microeconomia da região devem ser diretamente beneficiados com o reajuste, em especial a alimentação -- o que deve gerar um aumento nas compras de itens básicos dos nordestinos mais pobres.

"Esse dinheiro terá impacto relativo no setor de comércio e serviços das áreas populares, nas feiras livres, nos mercadinhos e pontos de comercialização desses itens básicos. As próximas pesquisas sobre o consumo no varejo, a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, deverão, com certeza, captar a influência desse aumento nas vendas do varejo dos estados nordestinos", afirmou.

Segunda maior fonte de renda

O economista Cícero Péricles afirma que o programa Bolsa Família é hoje a segunda fonte maior de renda dos nordestinos, atrás apenas da Previdência Social -- que cobre 7,7 milhões de pessoas na região, pagando R$ 4,9 bilhões todos os meses.

"No Nordeste, o peso combinado destes dois pagamentos mensais é muito grande. Como quase todos beneficiários do INSS têm família, pode-se dizer que, no Nordeste, 80% da população dependem desses recursos federais para tocar o cotidiano. Interessante notar que mais da metade dos pagamentos do INSS são destinados à clientela rural, que é a parte mais pobre da região. Na economia nordestina, nenhum setor produtivo, nenhum segmento -- agrícola ou industrial -- gera uma renda tão expressiva como esses pagamentos", disse.

A presidente anunciou o reajuste durante visita ao município de Irecê, no sertão da Bahia. Com o anúncio, o benefício médio passa de R$ 96 para R$ 115 já a partir deste mês. Apesar da média ficar em 19,4%, o aumento chega a até 45,5% para os benefícios pagos aos beneficiários com até 15 anos de idade. O reajuste médio foi 8,7% superior à inflação acumulada no período.

 

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