Ministro mais poderoso de Dilma, Palocci tem histórico de escândalos
Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília
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Antonio Cruz/ABr
Antonio Palocci ao assumir a chefia da Casa Civil
O vertiginoso aumento do patrimônio do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, entre 2006 e 2010, noticiado no domingo pelo jornal Folha de S.Paulo, não apenas levantou desconfianças sobre o homem mais forte do governo da presidente Dilma Rousseff como também reavivou na cena política escândalos antigos ligados ao petista.
Ex-ministro da Fazenda, visto com simpatia por empresários e hoje o principal articulador do Palácio do Planalto, Palocci adquiriu em São Paulo imóveis no valor de mais de R$ 7 milhões. Em 2006, quando se tornou deputado federal pelo PT, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral era de R$ 375 mil, em valores corrigidos, de acordo com o jornal. O ministro-chefe da Casa Civil afirma que os rendimentos são compatíveis com a atividade de consultoria que exerceu.
A alegação não serviu para afastar as lembranças de escândalos que o envolveram. O primeiro veio em 2005, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e remetia aos tempos de Palocci como prefeito de Ribeirão Preto, no interior paulista. Um ex-assessor, Rogério Buratti, acusou-o de receber propina de uma empresa de coleta de lixo para abastecer caixa dois eleitoral. As acusações contra o então ministro da Fazenda não foram provadas e mais tarde, foram retiradas.
Em 2009, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, afirmou que apesar da fartura de provas de fraudes nos contratos da empresa Leão & Leão com municípios paulistas, incluindo Ribeirão Preto, faltaram indícios para demonstrar a participação de Palocci no esquema. O petista era acusado de formação de quadrilha, peculato e falsificação de documento público em função.
"Mansão do lobby" e a queda
Ainda como ministro da Fazenda, Palocci viveu um segundo escândalo em 2006. Ex-assessores dele em Ribeirão Preto montaram uma casa em Brasília para suposta prática de tráfico de influência entre 2003 e 2004 – a chamada "mansão do lobby". Buratti, que alugou o local junto de Ralf Barquete e Vladmir Poleto, admitiu as visitas do ex-chefe à residência, que também recebia garotas de programa. Palocci negou as acusações, mas foi desmentido por um caseiro, Francenildo dos Santos Costa.
Francenildo disse em entrevistas na época que confirmava “até morrer” as visitas do petista à casa, que também recebia festas com prostitutas, supostamente agenciadas por uma mulher: Jeany Mary Corner. A cafetina mais tarde revelou que Buratti tinha se casado com uma de suas garotas, supostamente apresentada a ele exatamente por Palocci. Ela afirmou que intermediou negócios e fez pagamentos, inclusive a outros políticos, a pedido do então ministro da Fazenda, que sempre negou as acusações.
Com sua situação complicada no casamento e no governo, Palocci já tinha perdido a blindagem da oposição, que o poupava de ataques para não colocar a austeridade na política econômica em risco. Às vésperas da campanha presidencial que acabaria reelegendo Lula, o ministro da Fazenda já não era fundamental para o governo, como disse o então líder do PSDB no Senado, Arthur Virgilio (AM).
Foi então que surgiu o derradeiro escândalo em sua primeira passagem pelo governo. O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, entregou ao ministro da Fazenda dados bancários do caseiro Francenildo, com um depósito de R$ 25 mil. A violação do sigilo foi vazada à imprensa pelo assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto, levantando suspeitas sobre se a oposição estaria pagando pelos depoimentos do caseiro.
A quantia, no entanto, tinha sido depositada pelo pai biológico de Francenildo, para evitar um processo de reconhecimento de paternidade. Palocci negou ter ordenado a quebra de sigilo e acabou inocentado em 2009 pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão da corte deu força para ele se tornar um dos coordenadores da campanha eleitoral de Dilma, após um silencioso mandato de deputado federal. Silencioso e lucrativo.
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