Agora titular, Paulo Sérgio Passos já era considerado "segundo homem" dos Transportes

Camila Campanerut*
Do UOL Notícias
Em Brasília

  • José Cruz/ABr

    Paulo Sérgio Passos: de ministro interino ao novo nome dos Transportes

    Paulo Sérgio Passos: de ministro interino ao novo nome dos Transportes

Após assumir o Ministério dos Transportes interinamente, o ex-secretário-executivo da pasta, Paulo Sérgio Passos, foi convidado pelo Palácio do Planalto para ocupar definitivamente o cargo. A oficialização do convite foi feita nesta segunda-feira (11).

Passos é do PR (Partido da República), mesmo partido do ex-ministro Alfredo Nascimento, que foi afastado do cargo na semana passada, depois de denúncias de irregularidades e de um suposto esquema de propina instalado no ministério.

Antes do afastamento de Nascimento, Passos era considerado o segundo homem da pasta: ele já foi o titular do ministério duas vezes, revezando-se com Nascimento no cargo. Em março de 2006, Nascimento saiu do Ministério e Passos entrou. Depois, Nascimento reassumiu o cargo em março de 2007 e o repassou para o colega em março de 2010, para disputar o governo do Amazonas. Em 2011, Nascimento voltou a ser ministro e, agora, pediu demissão. O revezamento da dupla confirma rodízio de integrantes do PR à frente dos Transportes.

O nome de Passos não era cogitado como indicação do PR, já que ele não tinha respaldo do partido. O senador Blairo Maggi (MT) era o mais cotado para o cargo, mas desistiu. Maggi disse que telefonou nesta segunda-feira (11) para a presidente da República, Dilma Rousseff, para justificar sua recusa em assumir a vaga deixada pelo correligionário.

“Eu tenho impedimentos legais e impedimentos, que eu diria, de ordem ética. A minha empresa é dona de uma companhia de navegação, da maior companhia de navegação do Brasil [a Hermasa], que transporta soja na hidrovia do Madeiro-Amazonas, já há 15 anos. E esta empresa vive em constante expansão em função dos novos corredores que são abertos na exportação de soja”, detalhou o parlamentar.

De acordo com Maggi, a presidente concordou a decisão dele. “Quando ela fez o convite, eu disse ‘eu acho que eu tenho impedimentos, eu vou levantar e vou trazer uma resposta’. No momento que eu disse à presidente [a resposta], ela disse: ‘você tem toda a razão, não tem como continuar’”, contou o senador.

Apesar da falta de consenso em torno do nome de Passos, o líder do PR na Câmara dos Deputados, Lincoln Portella (MG), afirmou mais cedo que não haveria "mágoas" no partido se Dilma optasse pela efetivação do ministro interino. O PR é um importante aliado da base do governo Dilma.

Íntegra da nota oficial

Nota à imprensa

O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi convidado nesta segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff a assumir a titularidade da pasta. O convite foi aceito.

Secretaria de Imprensa da Presidência da República  

Escândalos nos Transportes

No último dia 2, a revista “Veja” relatou suposto esquema de propinas no Ministério dos Transportes que beneficiariam o PR –partido que comanda a pasta desde o governo Lula.

Segundo a revista, o esquema envolveria o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec –órgãos submetidos ao Ministério dos Transportes. A presidente Dilma Rousseff afastou quatro dirigentes da cúpula, incluindo Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Dnit e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec. Os outros afastados são Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete de Nascimento, e Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro.

A situação de Nascimento se agravou dias depois, quando o jornal “O Globo” divulgou que o Ministério Público investigava suposto enriquecimento ilícito de seu filho, Gustavo Morais Pereira, de 27 anos. Segundo a reportagem, o patrimônio de sua empresa, a Forma Construções, aumentou 86.500% em dois anos beneficiando-se, supostamente, de esquema no ministério. Nascimento pediu demissão no último dia 6, sendo substituído, de forma interina, por Passos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) designou uma equipe para fazer uma 'devassa' nas licitações, contratos e execução de obras a cargo do Dnit e da Valec, envolvidas nas denúncias de irregularidades.

*Com informações de Maurício Savarese

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