Marchas contra corrupção organizadas por meio de redes sociais vão às ruas hoje em capitais e cidades do interior
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Milhares de internautas organizaram, por meio das redes sociais, um grande protesto contra a corrupção nesta quarta-feira (7), Dia da Independência, em todas as capitais e também em cidades do interior.
O blog "Brasil+Ético" reuniu todas as manifestações programadas para ocorrer no país –clique aqui para ver o calendário. No Facebook, cerca de 300 eventos do tipo, alguns deles com milhares de presenças confirmadas, foram criados. Os maiores atos devem acontecer em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Em Brasília, o protesto estava marcado para as 10h, no Museu Nacional, palco do tradicional desfile da Independência. Há manifestações convocadas para a Praça dos Três Poderes e para o Congresso Nacional.
Em São Paulo, o ato foi no vão livre do Masp, na avenida Paulista. No Rio de Janeiro, a manifestação foi convocada para a avenida Rio Branco, no centro.
O brasiliense Giderclay Zeballos, um dos criadores da comunidade mais popular do Facebook, afirma que o grupo surgiu da mobilização de cidadãos comuns diante das denúncias de corrupção, como as recentes ocorridas nos ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura. “A corrupção virou uma doença no Brasil. Sentimos que temos que fazer alguma coisa”, afirma Zeballos.
Segundo ele, os próprios organizadores estão arrecadando com amigos e parentes recursos para a compra de material para a manifestação, como faixas e tintas.
O grupo pede que os participantes levem spray, apitos, balões e tinta para pintar o rosto durante a marcha. “Não carregue bandeira de nenhum partido, a bandeira que devemos carregar é apenas a do Brasil, que é o nosso interesse comum”, diz texto na página do evento.
Em geral, o tom é patriótico, e pede-se aos possíveis participantes que vão aos atos trajando roupas pretas, simbolizando o luto.
Não há uma pauta clara de reivindicações, mas, em comum, todos os eventos e grupos criticam a absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) e o voto secreto, e apoiam a “faxina” de Dilma Rousseff nos ministérios. Outros temas que aparecem são a instalação da CPI da Corrupção e pedidos para que a corrupção se torne crime hediondo.
As manifestações também estão sendo divulgadas via Orkut e Twitter. Na rede de microblogs, as hashtags utilizadas são #todoscontraacorrupcao, #LutopeloBrasil, #setembronegro, entre outras.
"Churrascão da Gente Diferenciada" foi sucesso de organização na web
Enquanto nos países árabes as redes sociais foram ferramentas fundamentais para mobilizar a população contra os governos, no Brasil o maior exemplo de protesto organizado via internet foi o "Churrascão da Gente Diferenciada", realizado em maio deste ano no bairro de Higienópolis, região central da capital paulista. O protesto irreverente foi convocado via Facebook para criticar o governo do Estado, que teria cedido a pressões da elite do bairro e mudado o lugar de uma estação de Metrô. Dezenas de milhares de pessoas confirmaram presença no ato, mas cerca de 300 estiveram no local no dia do protesto.
Entidades manifestam apoio
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestaram apoio à Marcha contra a Corrupção.
As entidades dizem que a manifestação será uma oportunidade para buscar apoio popular a causas como o fim do voto secreto no Congresso Nacional, a redução de cargos comissionados, a transparência dos gastos públicos e a declaração imediata da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, que aguarda julgamento definitivo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o senador Pedro Simon (PMDB), que participou de encontro com as entidades, o movimento não deverá se perder no tempo, como aconteceu com outras mobilizações sociais como a dos “caras pintadas”. O parlamentar explicou que a Frente Suprapartidária Anticorrupção, criada por nove senadores, organizou uma lista de projetos prioritários apoiados pela sociedade.
“A diferença é que, desta vez, vamos trabalhar com fatos concretos, com uma série de leis importantes para, por exemplo, terminar com a impunidade e a verba pública de campanha e criar a fidelidade partidária. A sociedade organizada vai lutar e cobrar a aprovação desses projetos”, disse Simon.
*Com informações da Agência Brasil
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