Ministro diz que querem tirá-lo "no grito" e descarta influência de Fifa e CBF em denúncias

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília

Acuado depois de denúncias do policial militar João Dias e de informações na imprensa de que teria perdido poder na organização da Copa do Mundo de 2014, o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), afirmou em uma comissão do Senado nesta quarta-feira (19) que querem tirá-lo do cargo sem devido processo e que vai encerrar suas explicações sobre as denúncias contra ele nesta semana.

Em resposta a uma senadora, o ministro rejeitou a hipótese de a Fifa e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) estarem por trás das denúncias contra ele. Silva também prometeu processar os dois acusadores que o apontaram como membro de um suposto esquema de desvio de verbas públicas para abastecer caixa dois eleitoral do PCdoB.

“Já consumi em demasia algum tempo para contestar as falsidades que foram publicadas”, disse Silva, referindo-se às denúncias do PM à revista “Veja”. “Disseram que não importa provar, que já há a acusação. Querem tirar um ministro de Estado no grito. Como pode isso?”

Sobre as insinuações de que as entidades futebolísticas estariam por trás das denúncias contra ele, o ministro disse que a relação delas com o governo é “positiva”. “Nas conversas, não é Orlando Silva que fala apenas. É o governo que fala. As entidades internacionais veem isso com naturalidade. A Fifa e o Brasil têm o mesmo objetivo em 2014: fazer uma grande Copa”, disse.

"Disseram que não importa provar, que já há a acusação. Como pode isso?"

Pressionado

Silva afirmou que vai abrir ainda hoje processos judiciais contra seus acusadores e que suas atribuições “são muito importantes e não podem esperar”. Mais cedo, o jornal “O Estado de S.Paulo” informou que a presidente Dilma Rousseff, em viagem à África, mantém confiança no ministro, mas reduziu momentaneamente poderes dele sobre a Copa do Mundo.

Na terça-feira, Silva foi a uma audiência conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Turismo e Desporto da Câmara. Em pouco mais de três horas de depoimento, rebateu as denúncias e viu os oposicionistas fazerem desde um pedido de CPI até a sua defesa pública. Os líderes das siglas adversárias da presidente Dilma Rousseff evitaram questionar o ministro e pressionaram por um convite ao denunciante.

Nesta manhã, a oposição manobrou nesta quarta-feira (19) na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados e convidou Dias, que chegou a ser preso por suspeita de envolvimento com desvio de verbas do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Também foi chamado o motorista Célio Soares Pereira, que teria levado ao comunista recursos públicos desviados, segundo “Veja”. A data do depoimento ainda não está marcada.

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