Oposição cobra do governo respostas sobre denúncias contra novo ministro
Camila Campanerut
Do UOL, em Brasília
Líderes da oposição no Congresso Nacional cobraram nesta segunda-feira (6) explicações do Palácio do Planalto sobre as acusações contra o novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tomou posse hoje.
Ribeiro é alvo de denúncias que incluem ter favorecido familiares com emendas parlamentares, ter dado emprego de assessor a um primo, não ter informado à Justiça eleitoral quatro empresas em seu nome e possuir duas rádios em nome de ex-funcionários. As acusações não foram comentadas durante a cerimônia de posse nem pelo novo ministro nem pela presidente Dilma Rousseff.
“O convidado deve menos explicação do que quem convidou. A presidente dispõe de condições para ter informações para quem ela indica para posse”, disse o novo líder do PSDB na Câmara, Bruno Araujo (PE).
O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que é preciso ter cautela antes de se pré-julgar o ministro, mas acrescentou que faltou uma melhor avaliação por parte da presidente para escolher o sucessor de Mário Negromonte, que deixou o comando da pasta após denúncias de irregularidades. “Ela substitui um ministro que caiu por denúncias. Se o governo nomeia alguém sem fazer a avaliação correta, o governo atesta a convivência com improbidade.”
O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres afirmou que deverá entrar ainda nesta semana com uma representação no Ministério Público pedindo a investigação sobre a possibilidade de o novo ministro ter usado “laranjas” para manter o controle sobre duas rádios em seu Estado. “Eu acho que o mundo político está tão complicado, os leques são reduzidos de gente [com ficha] limpa e o ministro já começa enrolado”.
Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), Ribeiro nem deveria ter assumido o cargo. Bueno endossa o coro do DEM e diz que também cogita entrar, por meio de seu partido, com uma representação contra Ribeiro. “O governo não esta fazendo disso [das denúncias] um sentimento de respeito à coisa pública, com o loteamento e entrega dos cargos aos partidos.”
Outro lado
O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) saiu em defesa de Ribeiro ao apontar que em relação à mãe e a irmã de Ribeiro, o novo ministro não as beneficiou com emendas parlamentares. A mãe dele, Virgínia Maria Veloso Borges, é prefeita de Pilar (PB) e a irmã, Daniella Ribeiro é deputada estadual e pré-candidata à prefeitura de Campina Grande.
“Não se pode falar em favorecimento da mãe e da irmã, ele não poderia discriminá-las por esta razão. Ele, como deputado da Paraíba, não poderia ajudar todos e deixá-las sem ajuda. Sobre as demais questões não vi a justificativa dele ainda”, afirmou Teixeira.
Procurados pelo UOL, o novo líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL) e o presidente da legenda, o senador Francisco Dornelles (RJ), não comentaram o assunto.
Últimas de Notícias
Ver mais notíciasAnistia Internacional critica Brasil por danos causados por obras do PAC
Márcio Thomaz Bastos não deveria defender Cachoeira, pondera leitor
Advogados de réus do mensalão receberam apoio de ministros do STF
Desemprego em abril foi de 6%, segundo IBGE
JBS diz que não vai brigar com governo
JBS faz lobby para preservar contratos da Delta com a União
Senador usa verba para comprar reportagens
Impeachment de Collor completa 20 anos, e morte de PC Farias continua à espera de julgamento
Entre os nomes marcantes que envolveram a queda de Fernando Collor de Mello da Presidência, ocorrida em 1992, figura como...
De "ressaca" após silêncio de Cachoeira, CPI procura rumos para investigação
Um mês de duração, poucos avanços além dos já obtidos pela Polícia Federal, raros depoimentos e silêncio do pivô do...
Um ano após morte de extrativistas no Pará, parente ameaçada permanece sem proteção
A morte do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados por...


