Presidente da CPI pede investigação sobre policial que teria pedido favor a Dadá, apontado como espião de Cachoeira

Camila Campanerut
Do UOL, em Brasília

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), pediu nesta sexta-feira (29) que a Polícia Legislativa do Senado investigue o policial Yanko de Carvalho Paula Lima, responsável pelo policiamento noturno da Casa. O pedido foi feito depois da publicação de uma reportagem da revista "Época" afirmando que Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como araponga de Carlinhos Cachoeira, teria feito um favor pessoal ao policial.

Segundo a revista, conversas gravadas pela Polícia Federal em abril do ano passado mostrariam que o policial pediu ajuda a Dadá para conseguir “furar a fila” de emissão de passaportes da PF. Ex-sargento da Aeronáutica, Dadá foi preso no final de fevereiro e liberado em junho. Cachoeira também foi preso no final de fevereiro, acusado de comandar um esquema de corrupção.

Em nota, Vital do Rêgo informa que determinou uma “minuciosa investigação, com análise dos vídeos produzidos nas referidas salas-cofre e nas antessalas” para verificar se houve vazamento de informações sigilosas compartilhadas entre o Supremo Tribunal Federal e a comissão, referentes às operações Monte Carlo e Vegas da Polícia Federal.

De acordo com o diretor da Subsecretaria de Apoio às Comissões Especiais e Parlamentares de Inquérito, Dirceu Vieira Machado Filho, somente depois de comprovada a participação do policial ou de outro funcionário, ele e outros poderão ser afastados. 

Os policiais do Senado não têm acesso às informações, apenas monitoram a entrada e saída das pessoas nas salas, que precisam assinar termos de compromisso para poder ter contato com as informações sigilosas.

Só podem ter acesso aos dados das salas-cofre os integrantes da comissão parlamentar mista de inquérito, do Conselho de Ética do Senado, assessores dos parlamentares que compõem a CPI ou o Conselho e os advogados dos investigados pelas comissões, entre eles os responsáveis pela defesa do próprio Dadá. “Com isso, não seria necessário que se utilizasse o serviço de alguém para obter os dados a seu respeito", salientou Machado.

As duas salas-cofre têm 10 computadores com os dados sigilosos. Elas são monitoradas 24 horas por dia por câmeras e ficam abertas para consulta das 9h às 20h, de segunda à sexta-feira.

Vital do Rêgo disse ao UOL que aguarda a conclusão das investigações antes de comentar o assunto.

 

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