"Laranjas" da Delta foram contratados pela Prefeitura de Goiânia, diz MP de Goiás

Lourdes Souza
Do UOL, em Goiânia

Um inquérito foi instaurado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) para apurar a lavagem de dinheiro envolvendo servidores comissionados da Prefeitura de Goiânia e a empresa Delta Construções. O procedimento aberto pelo promotor Fernando Krebs, em junho, segue em segredo de Justiça.

A promotoria investiga a contratação de supostos "laranjas" da Delta pela prefeitura de Goiânia, na época comandada por Iris Rezende (PMDB). Alcino de Souza e Fábio Passaglia atuaram na Comissão de Licitação da prefeitura, de fevereiro de 2005 a abril de 2006, e na Comissão de Avaliação de Veículos, Máquinas e Equipamentos para Leilões.

Passaglia presidiu a Comissão de Licitação e, justamente, neste período a Delta venceu concorrências públicas com a prefeitura de Goiânia no valor inicial de R$ 43 milhões. Após aditivos propostos pela comissão, os contratos foram prorrogados e saltaram para R$ 140 milhões.

Há suspeitas de que a indicação de Passaglia foi feita pela filha do ex-prefeito, Ana Paula. Iris Rezende nega a informação. Além da atuação na prefeitura de Goiânia, a dupla seria sócia na empresa Comercial GM.

As investigações apuraram que Alcino de Souza e Passaglia atuavam juntos na empresa, que, entre novembro de 2009 e maio de 2010, recebeu R$ 6 milhões da Delta. Os dados são do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregues à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional.

Por coincidência, os dois entraram na prefeitura no início do mandato de Iris Rezende, em 2005. Passaglia saiu da administração de Goiânia, em abril de 2006.

Em 2009, ele foi contratado pela prefeitura de Aparecida de Goiânia, cujo prefeito Maguito Vilela (PMDB) é aliado político de Iris Rezende. Na cidade, Passaglia trabalhou até 2011, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Aparecida (Ippua).Durante a presença de Passaglia, em Aparecida, a Delta foi a vencedora de uma licitação de R$ 15 milhões.

Sob a suspeita de favorecer a Delta, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, enfrenta um pedido de afastamento do cargo proposto pelo MP, em maio. O promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva solicitou o afastamento cautelar de Maguito, que foi padrinho de casamento de Carlos Cachoeira, por irregularidades nos contratos firmados com as empresas Delta Construções e Construtora Almeida Neves para a contratação de veículos utilizados para a limpeza urbana. Ele questiona os contratos para locação de caminhões com motoristas pelo período de dezembro de 2009 a abril de 2011.

Na época do processo licitatório, a Delta Construções, envolvida com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – alvo de investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, venceu a disputa pelo primeiro lote e a Almeida Neves ficou com o segundo lote. Os contratos sob suspeita somaram um gasto de mais de R$ 26 milhões por ano. Do montante, R$ 14 milhões foram pagos à Delta.

 

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