Disputa entre PT e PSDB não vai atrapalhar CPI, diz presidente da comissão

Camila Campanerut
Do UOL, em Brasília

O presidente da CPI do Cachoeira no Congresso, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou nesta quarta-feira (18) que a disputa política entre PT e PSDB não vai atrapalhar os trabalhos da comissão, que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados.

Entre os investigados estão tanto integrantes do PT, como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, quanto do PSDB, como o governador de Goiás, Marconi Perillo.

“[A disputa] não vai inviabilizar, a presidência vai conduzir para que a questão política não atrapalhe a eficiência dos trabalhos”, afirmou em entrevista coletiva sobre o balanço dos trabalhos da comissão no primeiro semestre deste ano. 

Instalada em 25 de abril, a CPI realizou até o dia 17 de julho –último dia antes do recesso parlamentar– 21 reuniões, das quais 14 foram destinadas para ouvir testemunhas do caso. Outras sete reuniões foram administrativas.

Depois de reportagem da revista “Época” deste fim de semana e a apresentação de um requerimento para a CPI convocar novamente Perillo, a cúpula do PSDB se reuniu ontem (17). A reportagem mostra que o governador teria recebido propina para liberar o pagamento de créditos devidos pelo governo de Goiás à empreiteira Delta Construções, suspeita de envolvimento no esquema. O acerto teria ocorrido por meio da venda da casa do Perillo, onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal.

A legenda mostrou unidade e acusou a CPI de direcionar as atenções de seus trabalhos para o tucano para, assim, tirar o foco dos envolvidos do PT e do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), que começa em agosto.

"Querem chamar pessoas ligadas ao PSDB na CPI em agosto para tirar o foco do mensalão", afirmou ontem o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

O presidente da CPI, por sua vez, não defendeu a reconvocação do Perillo, mas avaliou como imprescindível focar as atividades da suposta organização criminosa encabeçada por Cachoeira em Goiás.

“A geografia regional do fato determinado [atuação de Cachoeira] se impõe, a organização criminosa se instalou dentro do Estado de Goiás e as pessoas muito mais inquiridas são do Estado de Goiás”, afirmou Vital. 

 

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