"Não conheço ninguém que roube e more na casa da sogra", alega advogado de Delúbio
Fabrício Calado
Do UOL, em Brasília
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Lula Marques/Folhapress
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, é um dos réus do processo do mensalão, que está sendo analisado no STF
Ao comentar a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o advogado de Delúbio Soares –ex-tesoureiro do PT e um dos 38 réus do mensalão– disse que é "notória" a "simplicidade da vida" de seu cliente, negando que ele tenha enriquecido de forma ilícita.
"Não conheço ninguém que tenha roubado e more na casa da sogra", disse Arnaldo Malheiros Filho durante o intervalo da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa o caso nesta sexta-feira (3).
Malheiros fez a afirmação ao questionar a declaração de Gurgel de que Delúbio "se locupletou" (tornou-se rico) com o suposto esquema de compra de parlamentares. Segundo o advogado do ex-tesoureiro, a afirmação de Gurgel é novidade no processo.
"Isso [a afirmação de que Delúbio enriqueceu] não está na denúncia nem pode ser considerado pelo tribunal", afirma o advogado. Ele descartou apresentar uma questão de ordem ao tribunal por conta do que considera serem citações inexistentes na denúncia.
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o marqueteiro Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, fez declaração semelhante à de Malheiros. "Ele [Gurgel] está trazendo pílulas que não constam do processo ", ponderou Kakay.
O caso do mensalão, denunciado em 2005, foi o maior escândalo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O processo tem 38 réus, incluindo membros da alta cúpula do PT, como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). No total, são acusados 14 políticos, entre ex-ministros, dirigentes de partido e antigos e atuais deputados federais.
O grupo é acusado de ter mantido um suposto esquema de desvio de verba pública e pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. O esquema seria operado pelo empresário Marcos Valério, que tinha contratos de publicidade com o governo federal e usaria suas empresas para desviar recursos dos cofres públicos. Segundo a Procuradoria, o Banco Rural alimentou o esquema com empréstimos fraudulentos.
O tribunal vai analisar acusações relacionadas a sete crimes diferentes: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas e gestão fraudulenta.







