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Candidata à presidência da Câmara, Rose critica Executivo, PMDB e quer Legislativo "sem pires na mão"

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

04/02/2013 11h53Atualizada em 04/02/2013 12h09

A vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), foi a primeira entre os candidatos ao cargo de presidente da Casa  a discursar sobre as mudanças que pretende fazer na Casa Legislativa, no próximo biênio, caso seja eleita. A eleição ocorre nesta segunda-feira (4).

Em tom emocionado, Rose falou que encarou os problemas familiares – citando sua mãe de 89 anos, presente no plenário da Casa – e lançou sua candidatura avulsa, sem o apoio de sua legenda, o PMDB, que apoia o seu concorrente e favorito na disputa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). 

Mesa Diretora da Câmara

  • Arte/UOL

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“Não fui chamada dentro do PMDB para participar de uma eleição, uma escolha”, lembrou.  “Como se esta chapa formada com o nosso presidente [Marco Maia do PT com o PMDB] fosse um favor. Não é favo nenhum. Todo mundo sabe que a proporcionalidade sempre foi respeitada e sempre será”, afirmou em relação ao cargo de presidente na renovação da Mesa Diretora da Câmara. 

“Você é avulsa, clandestina, dissidente. Não. Sou deputada do PMDB, talvez seja a mais combativa”, completou. 

Quando criticou o Poder Executivo, Rose conseguiu destacar a imagem da presidente Dilma Rousseff – que é justamente a maior liderança do Executivo.

“O Poder Executivo não respeita o Parlamento brasileiro. Nunca vi querer um Parlamento forte. Somos base do governo , trabalhamos, queremos que se fortaleça. É com atitude que podemos mudar esta Casa”, defendeu a deputada.

Sobre a presidente Dilma, a parlamentar destacou que ela “trabalha, luta e tem credibilidade”.  A comparação entre os três poderes se baseia em pesquisas de opinião, nas quais o Judiciário incita mais confiança ao cidadão que o Legislativo. A deputada cita a incapacidade do Parlamento de votar os mais de 3.000 vetos que aguardam para serem apreciados em sessão conjunta entre os deputados e senadores no Congresso Nacional.

“Não podemos permanecer com a página do descrédito (...). Eu quero que este Parlamento não dependa de pires, de favor”, apontou. 

Na tribuna, Rose se colocou como uma candidata sem denúncias e questões do passado que a desabonem – ao contrário de Henrique Alves, que é alvo de uma série de denúncias.

“Acho que essa Casa está procurando encontrar a sua verdade. Essa Casa está devendo a si mesmo. Cada parlamentar que veio a essa Casa é um líder, porta-voz da sociedade. Por que será que a cada momento encontramos parlamentares reclamando que esse não era o parlamento que ele esperava”, afirmou a deputada. 

Eleição

Após eleger o senador Renan Calheiros (AL) mesmo sob uma enxurrada de denúncias de irregularidades, o PMDB também é favorito para fazer o novo comandante da Câmara dos Deputados na eleição de hoje.

Assim como seu correligionário no Senado, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) vem sendo alvo de inúmeras denúncias. Ele concorre com Rose de Freitas (ES), Júlio Delgado (PSB-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ).