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Acordo nuclear com o Irã atrasou três anos, diz Amorim

Fernando Rodrigues

Do UOL, em Brasília

27/11/2013 06h00

O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirma que o acordo sobre energia nuclear alinhavado em 2010 pelo Brasil e pela Turquia com o Irã era mais duro do que o atual, que acaba de ser anunciado.

Em certa medida, a negociação mediada em 2010 atenderia também mais aos interesses dos Estados Unidos do que o acerto do último domingo, assinado em Genebra entre Irã e o chamado P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China).

 

Em entrevista ao programa Poder e Política, do UOL e da "Folha", Amorim afirmou que “foram três anos perdidos” desde a iniciativa liderada por Brasil e Turquia. “Do ponto de vista dos países ocidentais e dos Estados Unidos, aquele acordo [de 2010] era muito simples, muito matemático. Era tudo muito verificável”, diz o ministro da Defesa, que foi durante oito anos (2003-2012) o titular da pasta de Relações Exteriores no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

A diferença básica e mais relevante entre o acordo ensaiado em 2010 e o que foi firmado agora diz respeito a quem faria o enriquecimento do urânio. Há três anos, o Irã havia concordado em outorgar a outro país essa tarefa. Pelo tratado atual, os próprios iranianos ficarão incumbidos dessa operação e depois se submeterão a algum tipo de fiscalização.

“Eu diria que o Irã estava fazendo uma concessão, naquela época, que não precisou fazer agora”, afirma Celso Amorim, que participou diretamente de toda a negociação em 2010. Naquele momento, o acordo acabou não prosperando porque o presidente dos EUA, Barack Obama, preferiu não levar as conversas adiante.

Acesse a transcrição completa da entrevista.

A seguir, os vídeos da entrevista (rodam em smartphones e tablets):

1) Principais trechos da entrevista com Celso Amorim (8:40)

2) Acordo nuclear com o Irã atrasou 3 anos, diz Amorim (2:33)

3) Na defesa cibernética, maior desafio é formar pessoal, diz Amorim (1:31)

4) Forças terão até 1.400 homens em cada cidade da Copa, diz Amorim (1:35)

5) Amorim: Se bateria russa não servir ao Brasil, não será comprada (1:33)

6) Brasil não fará leasing de caças Sukhoi-35 com Rússia, diz Amorim (2:16)

7) Dilma decide compra de caças antes do fim do mandato, diz Amorim (1:26)

8) Brasil tem que manter serviço militar obrigatório, diz Amorim (2:18)

9) Brasil deve estar pronto para sair do Haiti em 3 anos, diz Amorim (2:08)

10) Conversas entre presidentes não são gravadas, diz Amorim (1:50)

11) Quem é Celso Amorim? (1:26)

12) Íntegra da entrevista com Celso Amorim (64 min.)

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