Dilma vai aos EUA, e Temer assume pela 1ª vez em meio à crise do impeachment
Com a viagem da presidente Dilma Rousseff (PT) a Nova York, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (21), o vice, Michel Temer (PMDB), assume interinamente a Presidência da República pela primeira vez desde o início da crise do impeachment.
Nas últimas semanas, a presidente cancelou três viagens ao exterior por conta do agravamento da crise política em Brasília, que chegou ao auge com a votação favorável ao encaminhamento do processo de impeachment da mandatária da Câmara dos Deputados para o Senado, no domingo (17).
Temer assume o governo menos de um mês depois de seu partido, o PMDB, ter oficializado o rompimento com o governo federal, no último dia 29 de março. No Brasil, todas as vezes que um presidente viaja para o exterior, o vice é quem assume a função.
Dilma participará da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), na sexta-feira (22), quando fará pronunciamento de cerca de cinco minutos. Segundo o jornal "Folha de S.Paulo", ela deve fazer um discurso denunciando uma "tentativa de golpe no país". A previsão é que a petista retorne ao Brasil ainda na sexta.
Rompida politicamente com Temer, seu substituto constitucional em caso de impedimento, Dilma criticou o vice-presidente e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por conspirarem contra seu mandato, no começo da semana passada.
Um dia antes, um áudio no qual o vice-presidente fala por aproximadamente 15 minutos como se o impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara dos Deputados, vazou e provocou pedidos de renúncia de Temer por parte de governistas. A fala foi considerada uma espécie de carta de apresentação do que seria uma gestão capitaneada por ele.
"Nós vivemos tempos estranhos e preocupantes. Tempos de golpe, de farsa e de traição", disse a presidente. "O gesto (o vazamento), que revela traição a mim e à democracia, ainda explicita que esse chefe conspirador também não tem compromisso com o povo", afirmou Dilma.
Em entrevista no dia seguinte, Temer rejeitou as acusações de que tenha "conspirado" pela queda da presidente e disse que, "golpe, na verdade, é só quando se rompe com a Constituição". Desde então, o vice-presidente tem recebido aliados no Palácio do Jaburu, sua residência oficial em Brasília, e no seu escritório em São Paulo.
Em entrevista a correspondentes estrangeiros nesta terça (19), a presidente Dilma afirmou que o Brasil tem um "veio golpista adormecido" e lembrou que não houve um presidente após a redemocratização do país que não tenha tido um processo de impedimento no Congresso Nacional.
Acordo de Paris
O acordo global climático foi assinado na COP-21 (21ª Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Paris, em dezembro. Após 13 dias de debates, representantes de 195 países chegaram, pela primeira vez na história, a um acordo global sobre o clima.
O Acordo de Paris, como ficou conhecido, prevê limitar o crescimento da emissão de gases de efeito estufa e a criação de um fundo global de US$ 100 bilhões, financiado pelos países ricos, a partir de 2020, para frear o aquecimento global a 1,5 °C.
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Governo do golpista Temer: Arrocho salarial, privatizações a preço de banana, desvalorização do funcionalismo público, fim das leis trabalhistas a favor dos trabalhadores, fim dos concursos públicos, mais lucro para os banqueiros, mais lucro para os empresários, o crescimento da corrupção sem investigação, a absolvição de todos os congressistas corruptos aliados, submissão total ao capital e o aprofundamento do papel do país como fornecedor de matérias primas do terceiro mundo. São essas mudanças que o "povo" queria? Vai tê-las.
Dilma abandonou a governabilidade há tempos para salvar o pescoço, e, enquanto vai a ONU falar baboseiras sobre o clima, e denunciar o "golpe", Temer, seu vice "traíra", segundo ela, está articulando o novo governo, e Moro, que abriu caminho para o processo de impeachment, acompanhado pelo mundo inteiro, foi eleito uma das 100 personalidades do ano pela revista "Time".