Topo

Dilma vai aos EUA, e Temer assume pela 1ª vez em meio à crise do impeachment

A presidente Dilma Rousseff e o vice, Michel Temer, participaram de evento em março - Alan Marques/Folhapress - 2.mar.2016
A presidente Dilma Rousseff e o vice, Michel Temer, participaram de evento em março Imagem: Alan Marques/Folhapress - 2.mar.2016

Do UOL, no Rio

21/04/2016 06h00

Com a viagem da presidente Dilma Rousseff (PT) a Nova York, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (21), o vice, Michel Temer (PMDB), assume interinamente a Presidência da República pela primeira vez desde o início da crise do impeachment.

Nas últimas semanas, a presidente cancelou três viagens ao exterior por conta do agravamento da crise política em Brasília, que chegou ao auge com a votação favorável ao encaminhamento do processo de impeachment da mandatária da Câmara dos Deputados para o Senado, no domingo (17).

Temer assume o governo menos de um mês depois de seu partido, o PMDB, ter oficializado o rompimento com o governo federal, no último dia 29 de março. No Brasil, todas as vezes que um presidente viaja para o exterior, o vice é quem assume a função.

Dilma participará da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), na sexta-feira (22), quando fará pronunciamento de cerca de cinco minutos. Segundo o jornal "Folha de S.Paulo", ela deve fazer um discurso denunciando uma "tentativa de golpe no país". A previsão é que a petista retorne ao Brasil ainda na sexta.

Rompida politicamente com Temer, seu substituto constitucional em caso de impedimento, Dilma criticou o vice-presidente e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por conspirarem contra seu mandato, no começo da semana passada.

Um dia antes, um áudio no qual o vice-presidente fala por aproximadamente 15 minutos como se o impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara dos Deputados, vazou e provocou pedidos de renúncia de Temer por parte de governistas. A fala foi considerada uma espécie de carta de apresentação do que seria uma gestão capitaneada por ele.

"Nós vivemos tempos estranhos e preocupantes. Tempos de golpe, de farsa e de traição", disse a presidente. "O gesto (o vazamento), que revela traição a mim e à democracia, ainda explicita que esse chefe conspirador também não tem compromisso com o povo", afirmou Dilma.

Em entrevista no dia seguinte, Temer rejeitou as acusações de que tenha "conspirado" pela queda da presidente e disse que, "golpe, na verdade, é só quando se rompe com a Constituição". Desde então, o vice-presidente tem recebido aliados no Palácio do Jaburu, sua residência oficial em Brasília, e no seu escritório em São Paulo. 

Em entrevista a correspondentes estrangeiros nesta terça (19), a presidente Dilma afirmou que o Brasil tem um "veio golpista adormecido" e lembrou que não houve um presidente após a redemocratização do país que não tenha tido um processo de impedimento no Congresso Nacional.

Acordo de Paris

O acordo global climático foi assinado na COP-21 (21ª Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Paris, em dezembro. Após 13 dias de debates, representantes de 195 países chegaram, pela primeira vez na história, a um acordo global sobre o clima.

O Acordo de Paris, como ficou conhecido, prevê limitar o crescimento da emissão de gases de efeito estufa e a criação de um fundo global de US$ 100 bilhões, financiado pelos países ricos, a partir de 2020, para frear o aquecimento global a 1,5 °C.