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Equipe de Doria tem de "sentar na cadeira" antes de fazer críticas, diz Haddad

A transição começou com afagos, mas chega ao fim com algumas farpas - Moacyr Lopes Junior/Folhapress
A transição começou com afagos, mas chega ao fim com algumas farpas Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

28/12/2016 18h11Atualizada em 28/12/2016 19h02

Em seus últimos dias de governo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), rebateu nesta quarta-feira (28) as críticas feitas à sua gestão na área da zeladoria e afirmou que a equipe do prefeito eleito João Doria (PSDB) tem de assumir a administração para entender a realidade. “A pessoa precisa sentar na cadeira para entender melhor a cidade. De fora, às vezes, é mais fácil falar”, disse o petista.

Mais cedo, o futuro secretário-adjunto da pasta de Prefeituras Regionais, Fábio Lepique, que coordenará ações de combate às enchentes na administração tucana, afirmou que a atual gestão diminuiu serviços de poda, jardinagem e limpeza.

"Estamos herdando uma situação difícil. A zeladoria não vai bem", disse Lepique, apresentando números para tentar demonstrar a queda na qualidade dos serviços. "Poda e remoção de árvores, a média histórica é 90 equipes. Hoje nós temos 40 equipes. Conservação de galerias de águas pluviais, média é 75, hoje nós temos 40".

Em evento na sede da prefeitura, Haddad respondeu dizendo que a prefeitura adotou novas tecnologias na limpeza e fez acordo com a Eletropaulo, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica, para compartilhar o serviço de poda de árvores.

“Teve muita tecnologia incorporada. Tem caminhão que desobstrui um ramal em minutos e foi minha gestão que trouxe para São Paulo. Foi feito convênio com a Eletropaulo que não existia. Impusemos à Eletropaulo que assumisse uma parte das podas da cidade. Só a capacidade da Eletropaulo hoje é o mesmo tanto que São Paulo tinha quatro anos atrás. Se não levar isso em consideração isso, fica fácil criticar”, declarou.

“Quando assumi tinham 17 grandes praças com favela em cima. Todas essas ocupações foram desfeitas em pactuação com a população em situação de rua. Acabei de entregar obra de drenagem. Isso não é zeladoria? Quintupliquei a capacidade de drenagem na rua Turiassu (zona oeste)”, acrescentou, enumerando ações de sua gestão.

O prefeito também disse que o saneamento das finanças do município é um dos principais legados de sua gestão. “São Paulo é um oásis em meio a uma calamidade financeira geral. Gostaria de ter feito o dobro, o triplo, mas na comparação com Estados e municípios do Brasil, São Paulo se sai muito bem. São Paulo está com dívida controlada, folha de pagamento controlada e fornecedores pagos. Não tenho obra parada. Estou entregando [a prefeitura] em condições muito superiores às que eu assumi”.

Ceagesp

Haddad fez as declarações depois de assinar um decreto que autoriza o conselho do Nesp (Novo Entreposto de São Paulo), uma empresa privada, a apresentar o projeto do novo Entreposto da cidade, a ser construído no bairro de Perus, na zona norte.

Se o projeto avançar, pode representar o desmonte do Ceagesp, instalado desde a década de 1960 na Vila Leopoldina, na zona oeste, dentro do centro expandido. O Ceagesp é vinculado ao governo federal por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para Haddad, a transferência do entreposto é importante para gerar empregos em Perus e abrir uma nova área de desenvolvimento urbano na Vila Leopoldina.