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Pezão cancela nomeação de aliada de Cunha que é ré na Lava Jato

Solange Almeida (esq.) ao lado do governador Pezão quando era prefeita - Divulgação
Solange Almeida (esq.) ao lado do governador Pezão quando era prefeita Imagem: Divulgação

Do UOL, no Rio

14/03/2017 19h12Atualizada em 14/03/2017 19h17

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), cancelou a nomeação da ex-deputada federal Solange Almeida (PMDB) para o cargo de secretária estadual de Proteção e Apoio à Mulher e ao Idoso. Ré em um processo da Lava Jato e aliada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), Solange havia sido nomeada na sexta-feira (10) para assumir o comando da secretaria.

Em nota, o governo do Estado do Rio informou nesta terça-feira à tarde que o governador resolveu tornar sem efeito a nomeação de Solange depois de ser informado que ela já foi condenada em segunda instância por improbidade administrativa.

"A decisão do governador foi tomada após o recebimento de um comunicado do Ministério Público Federal (MPF) com a informação de que Solange de Almeida foi condenada em segunda instância por ato de improbidade administrativa", declarou o governo, em nota oficial.

Além de ex-deputada, Solange é ex-prefeita de Rio Bonito (RJ). Em agosto de 2015, ela foi denunciada pela PGR (Procuradoria Geral da República) pois teria integrado um esquema para recebimento de propinas relacionadas a negócios da Petrobras montado por Cunha. A denúncia foi aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em março do ano passado.

Segundo o MPF, Solange, quando ainda era deputada, teria protocolado requerimentos de informações no TCU (Tribunal de Contas da União) e no Ministério de Minas e Energia para pressionar empresas e executivos a pagarem propina a Cunha.

Cunha é acusado de pedir uma espécie de comissão de US$ 5 milhões (cerca de R$ 15 milhões) para intermediar a compra de navios-sonda da Samsung pela Petrobras. De acordo com as investigações, a Samsung pagaria essa comissão a Júlio Camargo, operador do esquema e delator da Lava Jato.

Os pagamentos passaram a não ser feitos como o combinado. Cunha, então, teria acordado com Solange uma forma de pressionar a Samsung. Para o MPF, Cunha preparou requerimentos com pedidos de informação sobre Julio Camargo e a Samsung. Solange só os protocolou. Ela e Cunha negam.