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Ex-assessor acusou Camata de se apropriar de parte dos salários

Marcos Venicio Moreira Andrade foi assessor do ex-governador Gerson Camata por cerca de 20 anos - Divulgação/Polícia Civil
Marcos Venicio Moreira Andrade foi assessor do ex-governador Gerson Camata por cerca de 20 anos Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Guilherme Azevedo

Do UOL, em São Paulo

26/12/2018 21h55

A disputa entre o ex-governador Gerson Camata (MDB), 77, e seu ex-assessor Marcos Venicio Moreira Andrade, 66, que terminou nesta quarta-feira (26) com o assassinato do político, teve origem em denúncias de corrupção, em 2009. 

Em entrevista em abril daquele ano ao jornal "O Globo", Andrade se dizia ressentido com o suposto afastamento do ex-chefe, que teria lhe negado ajuda, e acusou Camata de receber propinas de empreiteira, além de cometer outros crimes contra o patrimônio público.

O ex-assessor afirmou então que Camata recebia repasses financeiros mensais da Construtora Odebrecht, como parte da cobrança do pedágio de ponte construída pela empreiteira no Espírito Santo. O contrato com a Odebrecht foi assinado em 1984, na gestão do então governador Camata (1983-86).

Trata-se da obra conhecida como Terceira Ponte, que liga Vitória e Vila Velha, uma das grandes obras de engenharia do Brasil, inaugurada em 1989.

Andrade afirmou também que Camata usou notas fiscais frias, oriundas de serviços nunca prestados, para "esquentar" cerca de R$ 340 mil (em valores atualizados pelo IPCA) de sobras financeiras de campanha, em 2002. 

Entre outras denúncias de apropriação de dinheiro público, o ex-assessor disse ainda que foi obrigado a usar, durante 13 anos, cerca de 30% do seu vencimento mensal como assessor para pagar despesas pessoais do então senador.

Camata e a Odebrecht negaram as acusações à época, e o ex-governador entrou na Justiça contra Andrade, em 2009, por crimes contra a honra. Em outubro de 2018, o processo ainda tramitava no Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Essa ação, segundo o secretário estadual da Segurança Pública do Espírito Santo, coronel Nylton Rodrigues, teria resultado o bloqueio de R$ 60 mil na conta de Andrade e motivado o crime. 

Andrade matou o ex-governador com um tiro à queima-roupa no pescoço, em Vitória. "Hoje, o ex-assessor foi tirar satisfação ao encontrar Gerson Camata na rua, próximo a uma padaria e a uma banca. Nesse encontro, iniciou-se uma discussão verbal, até que Marcos sacou uma arma e efetuou o disparo que vitimou o nosso ex-governador", disse Rodrigues.