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Deputados batem boca na Câmara após comissão de prisão em 2ª instância

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

12/02/2020 14h27Atualizada em 12/02/2020 21h50

A audiência pública que debatia a PEC da prisão em segunda instância foi encerrada após dois deputados discutirem e trocarem xingamentos. A sessão tinha presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e foi encerrada após os ânimos se exaltarem. Os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ) e Éder Mauro (PSD-AP) se agredirem verbalmente, por volta das 14h.

Moro estava na audiência desde as 10h. Ele foi convidado para debater o tema, o qual já defendeu junto ao pacote anticrime. Por volta das 13h30, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) começou a questionar Moro e acusá-lo de ser "lobo em pele de cordeiro". Em julho do ano passado, o congressista já havia chamado o ministro de "juiz ladrão".

Parlamentares pró-governo saíram em defesa do ministro. O deputado Éder Mauro passou a chamar a mãe de Glauber de "bandida", ambos se exaltaram e bateram boca boca frente a frente. Eles tiveram que ser contidos por colegas.

No ano passado, se espalhou pelas redes sociais uma notícia falsa de que a mãe do deputado do PSOL foi condenada a dois anos de prisão. Na verdade, Maria da Saudade Medeiros Braga, ex-prefeita de Nova Friburgo (RJ), acusada de desviar dinheiro público, foi absolvida em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por unanimidade, conforme mostrou a agência Lupa, especializada em checagem de fatos.

Hoje, Moro saiu pela porta dos fundos, sem falar com a imprensa. Após encerrar a reunião, o presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM), tentou apaziguar o clima de tensão.

"A democracia é feita de diálogo e debates, mas tem gente que consegue extrapolar para as agressões físicas. Até encerrar a audiência não vi nada que significasse quebra de decoro. Mas depois vi vídeos de que as tensões se acirraram", disse Ramos.

Como foi o bate-boca

"Você está me ameaçando, miliciano?", questionou Braga na saída da comissão.

"Te ameaçando? Não! Porque tu me chama, tu diz para mim te bater. Eu quero que tu vá, eu quero que tu seja o valentão que tu diz que é lá fora", rebateu Mauro.

"A gente já sabe que milícia mata. Você está me ameaçando matar?", continuou o deputado do RJ.

"Tu diz que vai me dar porrada, eu quero que tu diga isso lá fora. Aqui tu sabe que não pode fazer nada. Agora lá fora, não", respondeu de novo o paraense.

"Tá me ameaçando?", perguntou Braga.

"Te ameaçando? Tu és uma barata, rapaz! Te ameaçar para quê? Te ameaçar para quê?", subiu o tom Éder Mauro.

"Você é um miliciano. Você sabe que é miliciano", emendou Ivan Valente (Psol-SP).

"Dá licença de passar? Dá licença de passar?", pediu Mauro.

"O segurança vai deixar você passar. Passa aí", afirmou Valente.

"Passa. Mas milícia aqui não tem prioridade", completou Braga.

"Milícia tem é na tua casa, que tua mãe é uma bandida", disparou o representante do PSD.

"Você é miliciano", repetiu Gláuber Braga.

"A tua mãe é uma bandida. A alegria que o Rio de Janeiro não sente saudade. Agora, quando tu disser que quer me dar porrada, diga isso lá fora, porque aqui dentro sabe que eu não posso fazer nada. Tu és uma barata, barata eleita com 25 mil votos", respondeu Éder Mauro enquanto era afastado por Carla Zambelli (PSL-SP).

"Ficou mordido porque é miliciano. Tem uma milícia no Pará, por isso é que ficou mordido. Eu não tenho medo de miliciano", afirmou Braga enquanto o desafeto se afastava.

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