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Jean Wyllys diz que jornalista criticada por bolsonaristas agiu com cinismo

Morando na Alemanha, Jean Wyllys desabafa sobre ameaças de morte no Brasil -
Morando na Alemanha, Jean Wyllys desabafa sobre ameaças de morte no Brasil

Do UOL, em São Paulo

01/03/2020 15h00

O ativista e ex-deputado federal Jean Wyllys afirmou que a jornalista Vera Magalhães, que sofreu fortes ataques de bolsonaristas, agiu com "cinismo" e "desonestidade intelectual" através de publicações feitas nas redes sociais.

A jornalista foi a primeira a noticiar que Bolsonaro teria compartilhado vídeos no WhatsApp que convocam a população a participar de manifestações em favor do governo e contra o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal), marcadas para 15 de março. Ela, então, passou a ser hostilizada por bolsonaristas e teve até mesmo dados pessoais divulgados nas redes sociais.

No Twitter, Wyllys escreveu. "Quando vejo a desonestidade intelectual e o cinismo do Estadão e de Vera Magalhaes criando falsa equivalência entre Lula e Bolsonaro, fica difícil, de verdade, não dizer que eles merecem o que os fascistas bolsonaristas - que eles mesmos alimentaram - estão fazendo com eles".

Vera Magalhães logo ganhou o apoio de outros colegas, como Natuza Nery, jornalista da GloboNews.

"O sr. acha que ela merece ter informações sobre seus filhos divulgadas nas redes? E que essas crianças sejam colocadas sob risco? O sr. acha que ela merece receber ameaças? Pois foi o que fizeram. Então, perguntou: a humanidade só vale para quem pensa igual? É isso?"

O ex-deputado respondeu à jornalista que não concorda com as atitudes feitas pelos bolsonaristas e lembrou que deixou o país por ameaças do mesmo grupo. "Não acho. E ao contrário de você, eu sei do que estou falando, porque saí do Brasil sob graves ameaças por parte das mesmas pessoas que hoje atacam ela. Porém, a falta de sensibilidade por parte dela, que insiste em equiparar seus algozes ao presidente Lula, me leva a pensar", postou.

Assim como Vera Magalhães, Jean Wyllys também teve a sua família ameaçada.

Em 2019, o então deputado federal pelo PSOL anunciou sua renúncia ao mandato na Câmara e foi morar na Europa. Na época, o ex-deputado contou em entrevista coletiva que aqueles que o ameaçavam tinham fotos da casa da sua mãe, do carro do seu irmão e cópias de e-mails pessoais de seus familiares, para onde eram enviadas ameaças de morte.

Ele disse ainda que recebe ameaças desde 2011. Segundo ele, inquéritos da Polícia Federal até hoje não conseguiram identificar quem está por trás de todas essas intimidações, bem como das mentiras divulgadas sobre ele na internet.