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Maia não vê politização em operação contra Witzel, mas crê em vazamento

27.mai.2020 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em entrevista coletiva sobre a crise do novo coronavírus - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
27.mai.2020 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em entrevista coletiva sobre a crise do novo coronavírus Imagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

27/05/2020 16h16Atualizada em 27/05/2020 18h35

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse hoje que não vê indícios de politização na autorização, por parte do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), para a operação da Polícia Federal que ontem atingiu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ). Maia, porém, acredita ter havido um vazamento de informações sobre a operação, já que, em entrevista no dia anterior, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) indicou que já sabia o que aconteceria.

"Quando começou essa especulação com relação à entrevista de um parlamentar [Zambelli], eu fui entender a operação. Não vejo nenhum indício de tentativa de politização na decisão da operação. Agora, certamente a cúpula da PF recebe a informação e pode repassar para alguém. Tem que avaliar como aquilo tramitou fora daquelas pessoas que estão na operação. O vazamento gera algum tipo de preocupação", afirmou Maia durante coletiva de imprensa.

O deputado também disse esperar que as operações da PF continuem sendo feitas de forma impessoal, mas reconheceu que o vazamento, ainda que não influencie em nada na prática, "certamente não é bom". "Se o parlamentar [que vazou a informação] tem credibilidade, ele acaba dando uma informação para alguém que, em tese, pode estar sendo investigado, então pode atrapalhar as investigações", ponderou.

Questionado sobre a operação de hoje, no âmbito do inquérito que apura ataques e ameaças contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente da Câmara disse ser necessário respeitar as decisões do Poder Judiciário, ainda que se possa discordar delas.

"Acho que a operação de hoje segue a linha do inquérito que já está aberto há algum tempo, e tem como objetivo investigar como esses movimentos tentam desqualificar as instituições democráticas e como eles funcionam. A gente respeita, é a nossa democracia. Como ontem, quando o STJ autorizou uma operação no estado do Rio de Janeiro, nós também respeitamos", disse, voltando a citar o caso de Witzel.

Maia ainda lembrou que já foi alvo de fake news, mas alertou ser necessário saber separar o que é crítica e disputa política daquilo que é ameaça e pode não somente afetá-lo, mas também atacar a Câmara dos Deputados e outras instituições democráticas. "A partir daí não é mais liberdade de expressão", completou, "passa a ser um crime".

Saída da imprensa do Alvorada

O presidente da Câmara também comentou a decisão, por parte de UOL, Folha de S.Paulo, Grupo Globo, TV Band e Metrópoles, de suspender temporariamente a cobertura no Palácio da Alvorada por falta de segurança. Para Maia, a saída da imprensa é "um episódio muito ruim, uma sinalização péssima" e prejudica a imagem do Brasil no exterior.

"Nós só vamos ter investimentos se nós formos uma democracia plena. Esse é um ponto fundamental na decisão de qualquer investidor estrangeiro, somado a meio ambiente e outros temas. Um episódio como esse é um ataque à imprensa, à liberdade de imprensa, e dá uma sinalização errada que prejudica os brasileiros e o próprio governo", lamentou.

Ontem, questionado sobre isso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que os jornalistas "estão se vitimizando" e que "não viu ninguém da Folha falando 'quem matou Bolsonaro?'" quando ele levou uma facada, em setembro de 2018.