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Frederick Wassef diz ser vítima de 'bandidos' infiltrados no MP do Rio

Frederick Wassef: "Eu sou vítima do crime de quebra de sigilo bancário e fiscal ilegal" - Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Frederick Wassef: "Eu sou vítima do crime de quebra de sigilo bancário e fiscal ilegal" Imagem: Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

25/08/2020 19h34

O advogado Frederick Wassef afirmou que nunca pagou despesas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e disse ser vítima de "bandidos" infiltrados no Ministério Público do Rio.

A declaração foi dada em entrevista à revista Veja, pouco tempo depois da divulgação de um relatório do Coaf (Conselho do Controle de Atividades Financeiras), feita pelo jornal O Globo, que identificou o pagamento de R$ 10,2 mil feito pelo advogado ao urologista Wladimir Alfer, primeiro profissional médico a atender Queiroz, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

"Nunca paguei um único real nem a Fabrício Queiroz nem a ninguém da sua família. Zero. Isso nunca ocorreu. Agora, quanto ao pagamento ao médico Wladimir Alfer, sim, eu paguei. Eu estive internado no Hospital Albert Einstein ano passado, submetido a uma anestesia geral, e foi feita uma biópsia na minha bexiga, para se constatar se eu estava com um novo câncer ou não. E o médico que procedeu a esse procedimento sério, invasivo, foi o doutor Wladimir Alfer, em função de ser o mais respeitado urologista do Brasil. Essa é a origem do pagamento. Isso foi em setembro de 2019, e nada tem a ver com Queiroz", disse ele.

"Eu sou vítima do crime de quebra de sigilo bancário e fiscal ilegal, que foi feito a mando de membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente do Gaeco (grupo de combate ao crime organizado), que desde o dia 1º estão querendo me investigar de forma dissimulada e por vias transversas, porque, como sempre fui advogado no exercício regular da advocacia, não poderiam me investigar. Eu tive a informação de que eles, de forma ardilosa, nefasta e (digna) de país de sexto mundo, eles, bandidos, solicitaram em off a seus pares, colegas e amigos do Coaf para que invadissem as minhas contas bancárias. Repito, bandidos infiltrados dentro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, com carteira funcional de promotor, estão envolvidos na prática de crimes", acusou.

"E para não demonstrar que eu estava sendo investigado pelo Gaeco, para fazer parecer uma situação regular e legal, fizeram essa fraude, em que o Coaf comunica o seguinte: 'de forma espontânea, o Coaf envia um ofício para o Ministério Público do Rio de Janeiro com as contas de Frederick Wassef'. No caso, as contas do escritório, da pessoa jurídica, da minha empresa. Isso foi feito de forma criminosa. Jamais existiu qualquer movimentação atípica nas contas do meu escritório. Não teria como o Coaf ter detectado qualquer coisa. Usaram o Coaf. Para dissimular que não era uma coisa do Rio, mandaram também para algumas autoridades de Brasília. Pergunto: por que não mandaram as informações para São Paulo, que é minha base, onde fica o meu escritório? Porque se trata de uma grande armação", concluiu.

Wassef disse que tem visto uma ampla campanha de destruição da família Bolsonaro e prometeu fazer denúncia à corregedoria do Ministério Público, ao Conselho Nacional do Ministério Público.

O caso da "rachadinha" e a prisão domiciliar de Queiroz

Queiroz foi inicialmente detido em 18 de junho na casa de Frederick Wassef, então advogado do senador Flávio Bolsonaro, em Atibaia (SP).

O ex-assessor é suspeito de operar um esquema de "rachadinhas" — apropriação de salários de funcionários — no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O nome de Queiroz veio à tona em dezembro de 2018, quando o Estadão revelou que ele fez movimentações financeiras "atípicas".

Menos de um mês após Queiroz ser preso, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, aceitou, no dia 9 de julho, um pedido da defesa do ex-assessor.

No habeas corpus, os advogados de Queiroz pediram a conversão da prisão preventiva em domiciliar. Como argumento, citaram o estado de saúde do ex-assessor e o contexto de pandemia, além de criticarem fundamentos da medida autorizada pela Justiça.

Na ocasião, Noronha estendeu a prisão domiciliar para Márcia, que estava foragida. "Por se presumir que sua presença ao lado dele (Queiroz) seja recomendável para lhe dispensar as atenções necessárias", argumentou o presidente do STJ.

O presidente do STJ decidiu sobre o caso durante o plantão do Judiciário, sendo responsável pela análise considerada urgente.

A decisão de Noronha foi derrubada na última quinta-feira pelo relator do habeas corpus, Felix Fischer, que retornou às atividades do tribunal nesta semana.

Ao derrubar a prisão domiciliar do casal, Fischer apontou que o casal já supostamente articulava e trabalhava "arduamente" para impedir a produção de provas ou até mesmo a destruição e adulteração delas nas investigações de um esquema de rachadinha. Na avaliação de Fischer, as manobras de Queiroz e Márcia para impedir a localização pela polícia "saltam aos olhos".

No dia 14 de agosto, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu devolver o ex-assessor e sua mulher para a prisão domiciliar. Agora, com a decisão, a prisão domiciliar do casal foi restaurada.