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Kalil critica Bolsonaro, vê governo de MG 'envenenado' e elogia Temer

Alexandre Kalil participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura - Reprodução/TV Cultura
Alexandre Kalil participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 22h30Atualizada em 01/12/2020 00h53

Prefeito reeleito em Belo Horizonte, com mais de 60% dos votos, Alexandre Kalil (PSD) disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "derramou dinheiro" e que lhe "faltou liderança" durante o combate à pandemia do coronavírus. A declaração ocorreu durante participação no programa "Roda Viva", da TV Cultura, na noite de hoje.

"Eu achei que o presidente Bolsonaro errou muito na pandemia", resumiu Kalil, ao ser questionado sobre a sua avaliação em relação ao presidente ao longo da crise.

"Vamos ser muito sinceros: ele derramou dinheiro na pandemia. E negar a pandemia era verbalizar, foi de graça, não custou nada. Então, o mais difícil ele fez. Não economizou na pandemia. Se ele não tivesse negado e liderado a nação, teria gasto a metade do que ele gastou [porque mais pessoas teriam aderido a protocolos de segurança, como o isolamento social, segundo o seu raciocínio]. Faltou a liderança que a gente está vendo na Europa. Faltou um líder para nos guiar", ressaltou o prefeito, em seguida.

O governo Bolsonaro anunciou em agosto que teria investido mais de R$ 1 trilhão "para salvar vidas e garantir o emprego e a dignidade de milhares de brasileiros". Uma reportagem da TV Globo, no entanto, mostrou que apenas R$ 294,5 bilhões teriam sido usados até aquele momento.

Kalil fez uma comparação entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer (MDB).

"Marquei horário com o presidente, não fui recebido. O Temer, que não tinha a menor relação política comigo, foi um presidente excepcional para BH. Ele abriu em três meses um hospital fechado há quase quatro anos, com 550 leitos. Quem foi bom para você? Para mim, o Michel Temer. Não quero amigo, quero financiamento para BH", ressaltou.

"Governo de Minas está envenenado"

Durante a entrevista, Alexandre Kalil também não economizou críticas ao seu rival político, o governador de Minas, Romeu Zema.

"Olha, acho que o governo de Minas está envenenado. Ontem me mandaram, não assisti, uma gravação de uma entrevista que ele deu. Quando me citaram, ele falou: 'fala muito e não fez nada'. O que tenho para falar do governador de Minas é que ele não fala nada e não faz nada", afirmou.

"Belo Horizonte está fora do cardápio do governo de Minas, a maior cidade está fora. E mais, agride a quem deve. Como sou devedor de alguém, eu agrado a quem eu devo, então agride BH como se não estivesse devendo a BH ao longo dos 36 meses que ele prometeu pagar quase R$ 650 milhões, R$ 700 milhões", acrescentou.

"Não está fora de cogitação"

Reeleito à Prefeitura de Belo Horizonte, Kalil também não descartou a possibilidade de se candidatar ao governo de Minas em dois anos.

"Não é fora de cogitação [eu deixar a prefeitura para disputar o governo], mas é óbvio que eu tenho que respeitar os votos que recebi. Eu não tenho ambição. Eu nunca sentei em uma cadeira pensando em outra. Então, eu acho que está muito cedo para decidir isso. Preciso respeitar os votos dos eleitores de BH.

Passadas as eleições, Kalil acredita que a dupla 'PT e PSDB' pelo menos em Belo Horizonte morreu.

"Em BH estão mortinhos, os dois. Mas em Minas tenho que estudar, não sei. Tomara que não [tenha chance de sobrevida] porque não fizeram bem", afirmou.

"Eu sou prefeito de todos"

Em 2019, Alexandre Kalil participou da abertura da 22ª Parada do Orgulho LGBTQ+, em Belo Horizonte, o que provocou críticas de apoiadores da base conservadora. Questionado, Kalil disse não se preocupar com as críticas e garantiu ser "um prefeito de todos".

"Eu sou prefeito de todos. Não só abri a Parada Gay como fui o primeiro prefeito da história de BH a abrir a Parada Gay, fui o único. Todo mundo tem medo. O político tem medo. Você mexe com gay, evangélico vai te odiar. Você vai na Marcha para Jesus, e o gay vai te odiar. Passo muito bem por esses caminhos, porque tenho parentes que amo e são gays", disse Kalil.

"Uai, eu sou prefeito de todo mundo, fui eleito tá? Tive voto de gay, de padre, de evangélico, de macumbeiro, de todo mundo, pô. Sou prefeito de todo mundo", reforçou.

Empregou ou não empregou?

No programa, Kalil admitiu ter empregado um cunhado ainda na época em que trabalhou como presidente do Atlético Mineiro, mas desmentiu a notícia sobre filho.

"Nunca pus filhos dentro do Atlético, o resto foi um cunhado que coloquei, que trabalhava com assunto que eu precisava com salário de R$ 3 mil e o Atlético tinha 700 empregados. É um concunhado que empreguei", afirmou.