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Renan diz que não se envolverá com CPI em Alagoas, governado por seu filho

22.set.2020 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) - Marcos Oliveira/Agência Senado
22.set.2020 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

23/04/2021 17h14

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), cotado a ser relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, se declarou "parcial" e disse que não irá votar nem relatar temas que envolvam Alagoas na comissão. O filho dele, Renan Filho, é o governador do estado.

"Desde já me declaro parcial para tratar qualquer tema na CPI que envolva Alagoas. Não relatarei ou votarei. Não há sequer indícios quanto ao estado, mas a minha suspeição antecipada é decisão de foro íntimo", escreveu ele, nas redes sociais.

Em entrevista à GloboNews, realizada ontem, o senador já não escondia incômodo com o que chamou de "campanha para desacreditá-lo", principalmente em redes sociais.

A instalação da CPI está prevista para a próxima terça-feira, quando devem ser eleitos o presidente e o vice. Depois disso, o presidente nomeia um relator.

Acordo já selado levando em conta a proporcionalidade das bancadas indica que Renan, integrante do partido com maior número de membros, deverá ficar com a relatoria, enquanto Omar Aziz (PSD-AM), da segunda maior bancada da Casa, será o presidente. A vice-presidência ficará a cargo do líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do primeiro requerimento de criação da CPI. A comissão posteriormente foi ampliada por um segundo pedido de autoria de Eduardo Girão (Podemos-CE).

O desenho se mostra pouco favorável ao governo, que estuda estratégias para minimizar os danos da CPI.

O fato de Calheiros ter um filho governador é um dos argumentos que embasa ação apresentada pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP), aliada próxima de Bolsonaro, à Justiça Federal. Ele pede que o político seja impedido, em caráter liminar, de assumir a relatoria da CPI.

O senador, por sua vez, afirmou que levará em conta apenas "provas indiscutíveis" e "insofismáveis". "Não vamos responsabilizar ninguém sem provas."

E advertiu: "O governo devia estar aproveitando esse tempo para se preparar para, na Comissão Parlamentar de Inquérito, demonstrar definitivamente que não errou e que, portanto, não tem responsabilidade. Se isso acontecer será melhor, melhor que aconteça, do que essa guerra sem sentido na rede social, ou declarações do filho do presidente, Flávio Bolsonaro, de que ainda aguarda uma decisão judicial para impedir que eu participe da Comissão Parlamentar de Inquérito e seja o seu relator."

Reação nas redes sociais

Após post de Renan Calheiros, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reagiu à publicação em tom de ironia.

"Em mais de duas décadas no Congresso Nacional, é a 1ª vez que eu vejo uma candidatura de um 'meio' relator em uma CPI.
Se o senador Renan Calheiros se vê impedido (e nisso está correto), que seja escolhido um relator imparcial para conduzir os trabalhos de uma CPI tão relevante", escreveu.

*Com informações da agência Reuters