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Passeio de moto de Bolsonaro mobilizará 1.000 PMs de 20 unidades no Rio

09.mai.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa de um passeio de moto com apoiadores para celebrar o Dia das Mães, em Brasília - REUTERS/Ueslei Marcelino
09.mai.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa de um passeio de moto com apoiadores para celebrar o Dia das Mães, em Brasília Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino

Igor Mello

Do UOL, no Rio

23/05/2021 04h00

A participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um passeio de moto em apoio ao governo no Rio de Janeiro irá mobilizar hoje (23) um efetivo de mais de 1.000 policiais militares de mais de 20 unidades diferentes.

O evento em apoio ao presidente, pelas ruas das zonas oeste e sul da cidade, ocorre no momento em que o governo é pressionado pelas revelações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, no Senado, e em que o o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresce nas pesquisas de intenção de voto na eleição de 2022. Um dos organizadores da manifestação é Waldir Ferraz, amigo de longa data e ex-assessor de Bolsonaro.

O presidente virá ao Rio e encontrará com apoiadores no Parque Olímpico, principal instalação construída para a Olimpíada Rio 2016, na zona oeste da cidade. De lá, percorrerá aproximadamente 40 quilômetros até o Monumento dos Pracinhas, no Flamengo, zona sul da capital, onde está prevista a dispersão.

De acordo com a Polícia Militar, o evento passará pelas áreas de quatro batalhões diferentes e contará com um contingente de mais de 1.000 homens. Serão mobilizados policiais de batalhões regulares da corporação e de unidades especiais, como o Batalhão de Choque, o Recom (Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões), o Gepe (Grupamento Especial de Patrulhamento em Estádios), o BPVE (Batalhão de Vias Expressas) e o BPTur (Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas).

Nos últimos anos, a PM do Rio tem feito diversos acenos de apoio a Bolsonaro e seus aliados. Durante a pandemia de covid-19, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) chegou a afirmar na Justiça que a corporação, ao acompanhar manifestações de bolsonaristas contra as medidas de isolamento social, frequentemente tinha uma postura "leniente e muitas vezes incoerente".

Um relatório de inteligência revelado pelo UOL mostra que a PM elogiava a conduta dos manifestantes, que provocavam aglomerações pela cidade. Ao mesmo tempo, a Polícia Militar associava partidos de oposição a atos de vandalismo em documentos oficiais. PMs de serviço foram flagrados ameaçando manifestantes contra o governo em atos no ano passado.

O esquema de trânsito da prefeitura do Rio estima que a manifestação pode mobilizar entre 10 mil e 15 mil pessoas. Está prevista a interdição de dezenas de vias públicas para permitir a passagem de Bolsonaro e de seus apoiadores.

Passeios frequentes de moto

Essa não será a primeira manifestação que Bolsonaro participará com motociclistas. No começo do mês, ele circulou com cerca de 3.000 veículos pelas ruas de Brasília, também em um ato em apoio ao seu governo.

Os passeios em motocicletas fazem parte da rotina do presidente Jair Bolsonaro —frequentemente violando leis de trânsito ou provocando aglomerações durante a pandemia de covid-19.

Um dos eventos mais notórios ocorreu em Rondônia, em 7 de maio. Bolsonaro transitou de moto pela Ponte do Abunã, que havia sido inaugurada naquele dia. Ele levou na garupa o empresário Luciano Hang, dono da rede de varejo Havan. Ambos estavam sem capacete, o que viola o Código de Trânsito Brasileiro.

Durante um período de descanso, Bolsonaro também saiu de moto pelas ruas do Guarujá, no litoral paulista. Em Brasília, o presidente adota essa prática com alguma frequência: fazendo passeios públicos em diversas oportunidades ao longo do governo.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do informado na matéria, a Ponte do Abunã foi inaugurada pelo presidente em Rondônia, e não em Roraima. A informação foi corrigida.