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Doria diz que desfile de tanques é 'clara ameaça à democracia'

João Doria critica desfile militar programado para Brasília na manhã de hoje - Divulgação/Governo de São Paulo
João Doria critica desfile militar programado para Brasília na manhã de hoje Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo

Do UOL, em São Paulo

10/08/2021 07h49

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o desfile de tanques programado hoje para Brasília é uma "clara ameaça à democracia" e um "flerte com o autoritarismo".

O evento gerou polêmica principalmente por ocorrer no mesmo dia da votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) 135/19, que propõe a implementação do voto impresso. Opositores enxergam o ato como uma forma de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentar mostrar força militar em meio a uma possível derrota de sua proposta na Câmara dos Deputados.

"O inédito e desnecessário desfile de tanques de guerra na Praça dos Três Poderes é uma clara ameaça à democracia. E tem o repúdio dos brasileiros de bem. A iniciativa é mais um flerte com o autoritarismo. O Brasil quer democracia, respeito à constituição e liberdade", disse Doria.

O desfile ocorre em um momento de forte tensão entre o governo Bolsonaro e o Poder Judiciário. Segundo nota da Marinha, "um comboio com veículos blindados, armamentos e outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra, que partiu do Rio de Janeiro, passará por Brasília". O destino final é o CIF (Campo de Instrução de Formosa), onde é feito anualmente, desde 1988, um grande treinamento da Marinha, a chamada Operação Formosa.

No entanto, o comunicado sugere que o comboio passará em frente ao Palácio do Planalto, que fica na Praça dos Três Poderes, junto com o Congresso Nacional e o STF. Caso se confirme, esse ato em pleno dia útil seria inédito.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), lamentou o que definiu como uma "trágica coincidência" o desfile de blindados, horas antes da votação da PEC na Casa.

Em nota divulgada à imprensa, a Marinha tentou minimizar o desgaste gerado com outras Forças e também no meio político, e afirmou que o ato "simbólico" não tem relação com o projeto do voto impresso.

Bolsonaro convida Fux, Barroso e Lira

Bolsonaro usou as redes sociais para convidar autoridades para o desfile. Entre os convidados estão o presidente do STF, ministro Luiz Fux, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, e o presidente da Câmara.

Mesmo que não nominalmente, o chefe do Executivo estendeu o convite aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do TCU (Tribunal de Contas da União), ministra Ana Arraes, do STJ, ministro Humberto Martins, e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministra Maria Cristina Peduzzi. Também convidou deputados e senadores, dizendo que se "honraria" com a presença de cada um deles.

Ao UOL, a assessoria de imprensa de Luiz Fux informou que o ministro não comparecerá ao evento, alegando que o presidente do STF não está em Brasília, mas no Rio de Janeiro. Alvo de frequentes ataques de Bolsonaro, Barroso também foi convidado (não nominalmente). Recentemente, o presidente da República chamou o presidente do TSE de "filha da p***".