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CPI: Advogada cita orientação de reduzir oxigênio de paciente; Prevent nega

Gilvan Marques e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

28/09/2021 19h01Atualizada em 28/09/2021 19h12

A advogada Bruna Morato, que faz a defesa de médicos que trabalharam na operadora de saúde Prevent Senior, disse à CPI da Covid que funcionários recebiam a orientação para redução do fornecimento de oxigênio por respiradores a pacientes internados em determinadas UTIs (Unidade de Terapia Intensiva) cuja internação passasse de 10 ou 14 dias. A empresa nega.

A Prevent Senior está sendo investigada por suspeita de fraudar atestados de óbito e omitir a covid-19 como causa da morte de pacientes. A nova denúncia sobre a redução de oxigênio foi feita por um dos médicos da rede à advogada, segundo ela.

Essa informação não consta na denúncia. Foi uma informação que eu recebi posterior a denúncia. E o relato foi o seguinte: de que pacientes internados em determinadas unidades de terapia intensiva, cuja internação tivesse mais de 10 ou 14 dias, a esses pacientes o procedimento indicado era a redução da oxigenação, ou seja, eles iam reduzindo o nível dos respiradores"
Bruno Morato, advogada de médicos da Prevent em depoimento à CPI

"Eu não considero isso como sendo um tratamento paliativo; isso foge das práticas paliativas. E, sinceramente, acredito que esses pacientes nem tinham condições de serem encaminhados à enfermaria, a esse leito híbrido. É importante que esses prontuários sejam disponibilizados para que seja feita uma devida avaliação", prosseguiu.

Esses pacientes, segundo informações dos médicos, evoluíam para óbito na própria UTI, então você tinha uma liberação de leitos. A expressão que eu ouvi ser muitas vezes utilizada é 'óbito também é alta' Bruna Morato durante depoimento à CPI

Ao UOL a assessoria da Prevent Senior chamou a declaração de Bruna de "loucura". "Compramos 240 respiradores extras na pandemia. Investimentos de R$ 20 milhões. Não faltou assistência a ninguém", disse a empresa.

Dossiê, denúncias e escândalo

A Prevent Senior, que já é alvo de investigações no Ministério Público, na Polícia Civil e na CPI da Covid, é acusada de supostamente pressionar seus médicos conveniados a tratar pacientes com substâncias do "kit covid", como hidroxicloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a covid-19.

Ela também é suspeita de ter conduzido um estudo sobre a hidroxicloroquina no tratamento da doença sem avisar pacientes nem seus parentes. Tal estudo teria omitido mortes de pacientes, influenciando o resultado para dar a impressão de que o medicamento seria eficaz.

O procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo, criou uma espécie de força-tarefacomposta pelos promotores Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho— para investigar as denúncias contra a Prevent Senior.

Diante das acusações, a empresa vem argumentando que não havia orientação direta para uso da hidroxicloroquina ou cloroquina porque os médicos são livres para prescrever o medicamento que julgarem mais adequado para cada paciente.

A empresa também nega que tenha adulterado qualquer estudo clínico. Há suspeita de que pacientes que morreram em decorrência da covid tiveram seus atestados de óbito emitidos sem referência à doença causada pelo coronavírus, como a mãe do empresário Luciano Hang, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).