Topo

Esse conteúdo é antigo

Prévia do PSDB em 2016 teve socos, tentativa de roubo e foto marcante

Albino José Seriqueira, militante do PSDB, acaba sem as calças em briga entre eleitores nas prévias tucanas para Prefeitura de São Paulo em 2016 - Adriano Vizoni/Folhapress
Albino José Seriqueira, militante do PSDB, acaba sem as calças em briga entre eleitores nas prévias tucanas para Prefeitura de São Paulo em 2016 Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

20/11/2021 14h33

O acirramento das prévias do PSDB entre os pré-candidatos à Presidência, marcada para amanhã (21), não é exatamente uma novidade entre os tucanos. No primeiro pleito interno de São Paulo, em 2016, houve até troca de socos e tentativas de roubo de urna no dia da votação.

Naquele ano, os tucanos foram às urnas em fevereiro para decidir quem disputaria a Prefeitura de São Paulo com o então prefeito Fernando Haddad (PT), que tentava a reeleição. Concorriam o atual governador João Doria, então sem cargo público, o ex-vereador Andrea Matarazzo, hoje no PSD, e o ex-deputado Ricardo Tripoli.

A confusão ocorreu no ponto de votação do Tatuapé, na zona leste, entre apoiadores de Doria e Tripoli. Segundo relatos à imprensa à época, eleitores do então deputado teriam entrado no local e tentado roubar a urna eletrônica.

"Eu tinha acabado de votar quando começou a discussão na mesa. Uns moleques que estavam aqui fora entraram, quebraram o computador e a impressora e tentaram roubar a urna", contou Beatriz Cerqueira, apoiadora de Doria, à Folha à época.

Um fotógrafo da Folhapress estava no local do momento e registrou algumas cenas da confusão. A foto, que mostra uma mulher agredindo um homem enquanto outro cai com as calças abaixadas, tornou-se símbolo do pleito naquele ano.

O homem caído é Albino Jose Siqueira, o Bininho, então apoiador de Doria, que ajudava a transportar eleitores. Ao G1 na época, ele confirmou a história de Bruna e disse que um dos homens tentava levar a urna para a Câmara Municipal, onde seria feita a apuração. Ele teve de aguardar a polícia.

Em 2018, ele disse ter se desapontado com a gestão rápida de Doria na prefeitura e, por isso, não o apoiava mais.

Em sua página no Facebook, há uma foto recente com o senador José Aníbal (PSDB-SP), que causou confusão ontem ao declarar apoio ao governador Eduardo Leite (PSDB-RS), principal adversário de Doria, e postagens com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ambos com Leite.

Por meio de assessoria, Doria lamentou o ocorrido e Tripoli disse não ter qualquer vínculo com os vândalos. Os votos da zona no Tatuapé foram anulados.

Doria venceria aquela prévia no segundo turno contra Tripoli. No primeiro turno, teve 43% dos votos. Matarazzo migrou para o PSD antes da segunda etapa.

O então governador voltaria a disputar as prévias ao Palácio dos Bandeirantes em 2018, contra Aníbal, o cientista político Luís Felipe d'Ávila, hoje presidenciável pelo Novo, e o ex-deputado Floriano Pesaro (PSDB-SP). Ele venceu com 80% dos votos e sem muita confusão.

Para amanhã, o clima voltou a lembrar o de 2016. Com troca de farpas públicas e discussões internas, Doria e Leite disputam voto a voto a candidatura ao Planalto. O ex-senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) também participa do pleito interno. Caso nenhum dos três conquiste mais do que 50% dos votos, haverá segundo turno no próximo domingo (28).

Dessa vez, os tucanos votarão pelas urnas em Brasília ou via aplicativo em todo o país, com regras diferentes para a votação. Os filiados foram divididos em quatro grupos distintos o que acaba dando mais força a certos representantes.

  • Governadores, vices, ex-presidentes, presidente, senadores e deputados federais: 25%
  • Prefeitos e vices: 25%
  • Vereadores (12,5%) e deputados estaduais (12,5%): 25%
  • Filiados: 25%

Segundo o partido, quase 45 mil filiados se inscreveram. Entre eles, todos os quase 50 medalhões (governadores, vices, senadores, deputados federais e ex-presidentes do partido).

Com base nos cálculos das respectivas campanhas, Doria deverá triunfar entre filiados, visto que São Paulo concentrou 62% dos inscritos, enquanto Leite leva vantagem entre os medalhões. O grupo de prefeitos e vices está bem dividido e o de vereadores é uma incógnita.

No cenário atual, São Paulo representa 35,6% de toda a votação, já considerando os pesos de cada grupo, enquanto o Rio Grande do Sul, 6,8%.