Para se ter um corpo saudável é preciso formar bons hábitos por toda a vida, dizem especialistas

Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

    O envelhecimento é um processo inevitável e comum a todo ser vivo, e há quem tenha essa noção e cuide do seu corpo, zelando por ele como algo precioso e único

    O envelhecimento é um processo inevitável e comum a todo ser vivo, e há quem tenha essa noção e cuide do seu corpo, zelando por ele como algo precioso e único

Há indivíduos que, realmente, parecem viver sob a máxima “meu corpo, minha casa”. Cuidam de si mesmos com todo o empenho, englobando aí itens como alimentação, atividade física, atenção à pele e aos cabelos e, claro, à saúde de uma maneira geral. Outros, porém, vivem como se seus corpos pudessem se virar por si mesmos, sem um carinho mais atento. E você, a que grupo pertence?

“Nem todas as pessoas se dão conta de que o corpo humano, admitamos ou não, é uma máquina muito frágil, limitada e temporária. Assim como um automóvel ou uma casa, quanto mais atendida em sua manutenção geral, mais durará”, salienta Lenilto Marques de Araújo Júnior, endocrinologista e cirurgião geral pela Santa Casa de São Paulo, professor de prática ortomolecular, diretor da Clínica de Saúde e Estética Espaço Dr. Lenilto, em Barueri, São Paulo.

Em outras palavras, o envelhecimento é um processo inevitável e comum a todo ser vivo, e há quem tenha essa noção e cuide do seu corpo, zelando por ele como algo precioso e único  e, dessa forma, fazendo com que se conserve mais. “É o que chamamos, na medicina, de longevidade”, diz o médico, destacando que no outro extremo estão os que se esquecem e não se atentam para o fato. “E, quando se dão conta, já passaram pelo seu melhor tempo, colhendo pelo caminho enfermidades, baixa qualidade e, o pior, brevidade de vida.”

As consequências de quem não tem essa preocupação, ele diz, são extensas. É possível sofrer com envelhecimento da pele e dos órgãos – “o sujeito tem 40 anos, mas parece que já passou dos 50” –, artrose precoce (a famosa dor na juntas), entupimento de vasos (deflagrando infarto, derrames, embolias e tromboses) e doenças cardiovasculares, “que hoje são, sem dúvida, a primeira e grande causa de morte em adultos e idosos”.

Araújo Júnior enfatiza, ainda, que a pessoa terá menor aceitação nos ambientes social e corporativo. “Em uma empresa, havendo dois candidatos com a mesma capacidade intelectual e curricular, será escolhido o mais magro, cuidado e saudável. Os que não se tratam, têm sua autoimagem diminuída, colhendo com isso menor autoestima.”

O cuidado começa pela boca

Segundo o endocrinologista, a alimentação adequada é um dos passos mais importantes para garantir o bem viver. Mas comer direito não é comer demais – pelo contrário, é comer pouco e com qualidade. “Há inúmeros trabalhos comprovando que a vida se prolonga de cinco a sete anos quando se ingere 30% menos alimento no dia a dia. O que importa é priorizar uma dieta coerente, com nutrientes essenciais à saúde, equilibrada e moderada. Nunca encher o estômago, e seguir aquela recomendação de ‘café da manhã de príncipe, almoço de pobre e jantar de mendigo’ – isso em termos de quantidade.”

A nutricionista Lucianna Jardim, mestre em Ciência dos Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diretora da Way Diet Nutrição Exclusiva, no Rio de Janeiro, diz que os extremos devem ser evitados. Ela cita como exemplo os peixes que, apesar de ótimos alimentos, em sua maioria, estão contaminados por metais pesados.

“Apesar disso, claro que devemos ingerir esta ótima fonte de proteínas e de ômega 3. Porém, o ideal é fazer um revezamento com outros itens como frango, ovo, quinoa e shitake”, diz a especialista, observando que o menu saudável prima, sempre, pela variedade. Nesse sentido, é essencial incluir todos os tipos de frutas, verduras e proteínas para obter uma ampla gama de nutrientes.

Pensar não no hoje, mas no amanhã

Araújo Júnior adverte que a ditadura pela magreza, aliada ao imediatismo de “querer emagrecer para ontem”, é muito prejudicial. “A maioria se lança em regimes loucos e radicais, que surgem a todo o momento para seduzir os afoitos pelo emagrecimento. O que está provado é que todos eles – das proteínas, da melancia, do abacaxi, da sopa, da revista ‘x’ ou ‘y’ – são ilusórios. Pior: trazem mais danos e rebotes posteriores do que perda de peso real e bem-estar perene. São de resultado imediato, encantam os apressados, porém seu fim é a recidiva.”

Lucianna Jardim completa dizendo que dietas restritas funcionam apenas por pouco tempo. “O corpo tende a se adaptar e gastar menos energia, reduzindo o metabolismo. Há uma grande chance de o paciente retornar aos hábitos antigos assim que afinar.”

Moderação é a palavra-chave

Claro que não basta comer bem. É preciso, também, aderir a outros mandamentos da boa saúde: não fumar, fazer atividade física regular, proteger a pele do sol, priorizar o lazer e o descanso – em vez de focar toda a atenção apenas no trabalho –, dormir direito, ter uma vida social prazerosa, buscar o contato com a natureza, não exagerar na bebida alcoólica, manter-se distante de drogas e trabalhar para ficar bem na parte psicológica – pois ter uma ‘boa cabeça’ é fundamental.

“Se a pessoa levar a sério a ideia de assumir um programa de vida mais saudável, em um prazo muito curto – cerca de 15 dias – já será possível perceber diferença na disposição, no humor, na pele, no intestino, no sono, no emagrecimento. A melhor forma de convencer alguém é com os próprios resultados”, diz Lucianna Jardim.

Não ser sedentário é fundamental, sustenta Paula Motondon, professora de educação física da Academia Competition, em São Paulo, pós-graduada em ginástica postural corretiva e fisiologia do exercício. “O sedentarismo já é classificado como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e atinge grande parte da população.

Traz, como consequência, doenças como diabetes, hipertensão, sobrepeso e dores generalizadas, acelerando o processo de envelhecimento.” A prática regular, desde que equilibrada, promoverá inúmeros benefícios – controle do peso, prevenção de distúrbios e conquista de músculos, ossos e articulações saudáveis. “Mas é preciso fazer pelo menos três vezes por semana, por no mínimo 60 minutos” - alerta.

Lucianna Jardim ainda observa que, a médio e longo prazos, o prejuízo maior da negligência com o corpo é o desenvolvimento de doenças crônicas como as cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade, entre outras.

“Ninguém quer ficar bonito durante apenas um verão. Não existe milagre para apresentar um corpo harmonioso, uma pele viçosa. É preciso ter disciplina, determinação e limite – na alimentação, na prática de exercícios, nos hábitos em geral. Não fumar, não exagerar no álcool, fazer esporte ou ginástica com regularidade e, à mesa, evitar doces, alimentos industrializados e carboidratos simples, como pão branco, biscoitos e bolos. Abusar de frutas, verduras, legumes e gorduras de boa qualidade – como as que estão em castanhas, nozes, abacate, salmão.” Enfim, tratar a si mesmo com o máximo carinho e atenção.

Por isso, o conselho de todos os especialistas é um só: ter sempre cautela e racionalidade, adotando hábitos alimentares e de vida saudáveis e permanentes que só trarão benefícios a longo prazo. “Não se deixe enganar por palpites de leigos. Procure profissionais competentes para ser bem sucedido. O que você irá colher no final será seguro, eficaz, previsível e salutar. Preocupe-se com seu corpo, pois ele é único, frágil, tem data de vencimento e precisa do melhor”, diz a nutricionista.

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