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Nordeste quer usar médico brasileiro formado no exterior mesmo sem Revalida

Será votada a Medida Provisória 890/19 cria o Médicos pelo Brasil, programa substituto do Mais Médicos. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil -
Será votada a Medida Provisória 890/19 cria o Médicos pelo Brasil, programa substituto do Mais Médicos. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

17/04/2020 14h03

Os nove governadores do Nordeste pediram ao governo federal autorização para que médicos brasileiros formados no exterior, mesmo sem diplomas revalidados aqui (o chamado Revalida), atuem durante a pandemia de covid-19 na região. Eles sugerem que seja criada a "Brigada Emergencial de Saúde no Nordeste".

Eles destacam que o Nordeste, com 1,5 médico por mil habitantes em 2018, abaixo dos 2,2 médicos por mil vistos na média nacional, tem carência de profissionais.

"Precisamos muito dessa mão de obra. São 15 mil profissionais brasileiros já formados, que estudaram, e nessa escassez que temos, e vamos ter ainda mais nos próximos dias, será um reforço importantíssimo", afirmou o governador da Bahia Rui Costa (PT), presidente do Consórcio Nordeste.

Na região, dois estados preocupam mais: Ceará e Pernambuco, que têm números crescentes de casos de covid-19 e estão na lista dos cinco com maior número de casos no país.

A sugestão de chamar os médicos foi do comitê científico criado pelo consórcio para auxiliar na decisão dos governadores. O grupo é composto por cientistas de todos os estados da região e coordenado pelos pesquisadores Miguel Nicolelis e Sérgio Rezende.

Em boletim divulgado no fim da noite de ontem, os cientistas afirmam que a região deve enfrentar colapso por falta de profissionais.

"É preciso criar com urgência uma Brigada Emergencial de Saúde no Nordeste ampliando o contingente de médicos e demais profissionais de saúde no atendimento à população. Esta iniciativa deve servir para levar médicos aos municípios atingidos pela pandemia e a todos os serviços de saúde mobilizados para este enfrentamento", alega o comitê.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a saída de Henrique Mandetta (DEM) do Ministério da Saúde. Ele deixa o cargo sem ter conseguido implementar o "Médicos pelo Brasil", programa lançado em 2019 como alternativa ao Mais Médicos — alvo de crítica por parte de Bolsonaro e Mandetta, em parte pela incorporação de médicos cubanos.

Acompanhamento das universidades

O comitê defende que o uso desses médicos sem diploma revalidado no Brasil seja feito com acompanhamento das universidades locais, responsáveis pela "adaptação formativa, com complementação curricular, na modalidade ensino-serviço, que assegure um processo rígido de avaliação ao longo do tempo".

Esse processo permitiria, ao fim, "a validação dos diplomas daqueles que vierem a ser aprovados".

Diante do avanço da epidemia, os cientistas ainda sugerem que os governadores ampliem medidas de restrição de mobilidade, "devendo-se proibir, em todo os Estados do Nordeste, o tráfego intermunicipal e interestadual, garantindo, porém, a segurança dos profissionais de serviços essenciais, com destaque para o transporte de alimentos e materiais de saúde."