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Coronavírus em prisões é 'bomba biológica', diz professora

Cela para presos do regime de segurança diferenciado no Complexo da Papuda, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress
Cela para presos do regime de segurança diferenciado no Complexo da Papuda, em Brasília Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

02/05/2020 13h30

A falta de estrutura de assistência à saúde dentro do sistema prisional brasileiro agrava as consequências da chegada do novo coronavírus nas penitenciárias, num efeito comparável ao de uma "bomba biológica".

Essa é a avaliação da professora da Faculdade de Direito da UnB (Universidade de Brasília), Camila Prado, em entrevista ao portal Metrópoles, publicada neste sábado (2). "A entrada do coronavírus no sistema prisional brasileiro representa uma bomba biológica de contaminação", afirmou.

Segundo a professora, presos estão sob custódia do Estado, que é o responsável pelas condições de saúde dos apenado e, por essa razão, "todas as mortes decorrentes de coronavírus que poderiam ser prevenidas e não foram, dentro das instituições prisionais, são de responsabilidade das autoridades".

O portal publicou reportagem com cartas em que presidiários relatam as condições do Complexo Penitenciário da Papuda, unidade prisional do Distrito Federal. Na quinta-feira (30), a unidade prisional registrou 223 infectados pelo novo coronavírus.

O número foi divulgado pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), vinculada à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). Ainda segundo o órgão, 12 detentos e um policial se recuperaram da doença. O boletim divulgado na tarde de ontem informa que 70 policiais penais e 153 detentos estão com a covid-19.

Em março, o governo do DF suspendeu as visitas aos presídios do complexo até o dia 1º de maio, quando será definido um novo prazo.

A nova edição do podcast Baixo Clero, do UOL, que foi ao ar neste sábado (2) discute o aumento exponencial dos casos de covid-19 no sistema carcerário brasileiro.

"Neste momento de pandemia, o que a gente está vendo é a possibilidade de acontecer de fato um massacre dentro dos presídios causado pelo vírus. Eu tive acesso essa semana a cartas que os presos enviaram para suas esposas, eu li dezenas delas, e o que elas têm em comum é que elas são cartas de despedida", afirmou a jornalista Maria Carolina Trevisan no programa.