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Covid-19: Com saúde em colapso, Amapá decreta lockdown e multa de R$ 5 mil

Waldez Góes, à direita, anunciou medida ao lado do prefeito de Macapá, Clécio Luís. Crédito -  Philipe Gomez/Governo do Amapá/Divulgação
Waldez Góes, à direita, anunciou medida ao lado do prefeito de Macapá, Clécio Luís. Crédito Imagem: Philipe Gomez/Governo do Amapá/Divulgação

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL

15/05/2020 15h46

O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), anunciou na tarde de hoje a decretação de lockdown (bloqueio de circulação) em todos os 16 municípios como medida de combate ao avanço exponencial dos casos do novo coronavírus. O decreto ainda estipula multa de R$ 5 mil para quem descumprir o isolamento rígido sem a comprovação da necessidade de circulação.

Em Macapá, cidade com maior o número de casos, haverá rodízios de circulação de veículos, medida decretada pela prefeitura. Os bairros da capital e demais municípios com os maiores índices de proliferação do novo coronavírus terão controle de circulação por meio de barreiras sanitárias. Outro ponto anunciado é a testagem de vizinhos de pessoas infectadas.

As medidas ocorrem depois da escalada de casos de covid-19 no estado nos últimos dias, o que sufocou o sistema de saúde local. Em 30 de abril, o Amapá possuía 1.080 confirmações e 34 mortes. O número saltou ontem para 3.428 infectados e 101 óbitos. Um aumento de 217% na quantidade de doentes, segundo o governo. E ainda existem mais de 5 mil amostras de exames para serem analisadas.

O Amapá é o primeiro estado brasileiro a decretar lockdown em todos os seus municípios. Antes, Maranhão havia adotado na Ilha de São Luís após decisão da Justiça e o Pará na região metropolitana de Belém.

O decreto amapaense começa a valer a partir de 19 de maio e tem previsão de durar dez dias. Bancos, farmácias e supermercados continuam como serviços essenciais e permanecerão abertos. A expectativa do governo é de que não ocorra aglomeração com o anúncio da medida. A nova restrição também não abrange deliverys e transporte coletivo.
"O problema é o número de pessoas circulando sem necessidade", pontuou o governador Waldez Góes, em coletiva transmitida pelas redes sociais.

De acordo com Waldez, o sistema de saúde do Amapá está "em colapso". A previsão é que a partir do lockdown, a estatística de mortes não chegue a 350 mortes projetadas para as próximas duas semanas. Nesse período, a expectativa é de chegar 8 mil casos de infectados. O governo calcula que a cada dez testes, pelos menos sete dão positivo para o novo coronavírus.

"Não haverá hospital que comporte esses números", admitiu Waldez Góes.

"Daqui a duas semanas, poderemos estar falando em 350 mortes por covid-19. Para não chegar a esse ponto, além da retaguarda em saúde pública que nunca será suficiente, pois já está em colapso, precisamos do isolamento social rígido", completou.

Sistema em colapso

O Amapá enfrenta o colapso em seu sistema de saúde público e privado. Recentemente, o UOL mostrou que o estado está com dificuldades para suportar a demanda de doentes do novo coronavírus somado a outras enfermidades.

No Hospital de Emergências, por exemplo, que é a porta de entrada para rede estadual, pacientes chegaram a esperar por leitos em centros especializados para tratar a covid-19 ao lado de corpos nas enfermarias.

Além da falta de leitos, o Amapá enfrenta falta de remédios para intubação em respiradores e médicos. Das 115 vagas ofertadas no edital para contratar os profissionais, 14 foram classificados, mas apenas dois se apresentaram para trabalhar, segundo o governo.

O colapso gerou várias ações do Ministério Público (MP) do Amapá contra o governo para obriga-lo a fornecer medicamentos, leitos e médicos aos doentes com covid-19. Em meio à pandemia, o secretário de Saúde, João Bitencourt, também pediu demissão.

A falta de médicos também é enfrentada na rede pública municipal de Macapá. O prefeito Clécio Luís afirmou na coletiva que a demanda sufocou a capacidade das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). "Não tem espaço físico, equipamentos e pessoal suficiente. Mesmo que a gente queira contratar, não existe profissional para todo mundo. A melhor medida seria o isolamento rígido", afirmou o político na entrevista coletiva.